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sexta-feira, 14 de junho de 2013

memento mori.....


 

 
 
 
 
Todas as fotografias são memento mori. Tirar uma fotografia é participar da mortalidade, vulnerabilidade e mutabilidade do outro. Exatamente por se talhar um determinado momento e o fazer estacar, toda a fotografia testemunha o impiedoso passar do tempo.
Susan Sontag


 
 
 



 
Fotografar pessoas é violá-las pois conseguimos vê-las tal como elas nunca se viram, conseguimos entendê-las como elas nunca se entenderam;  é transformar pessoas em objectos que podem assim ser possuídos.
Susan Sontag


 
 
   All photographs are memento mori. To take a photograph is to participate in another person’s (or thing’s) mortality, vulnerability, mutability. Precisely by slicing out this moment and freezing it, all photographs testify to time’s relentless melt.
(...)
To photograph people is to violate them, by seeing them as they never see themselves, by having knowledge of them that they can never have; it turns people into objects that can be symbolically possessed.
Susan Sontag















quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre retratos, memórias e esperanças


(...)
 
- Da última vez que o fui ver, ele entregou-me esta fotografia

 Era um retrato velho, a preto e branco, amarelado de tempo e carteira: um grupo de miúdos, com esperança e risos no olhar, esboçava a vitória com os dedos, ao lado de um soldado, de arma em punho (o Zé sabia o tipo de espingarda ou metralhadora que era). Também o soldado olhava para a objectiva com a felicidade tatuada no sorriso. Era uma fotografia tirada pelo Zé, no Largo do Carmo, com uma máquina velha que ainda funcionava, na manhã do dia 25 de Abril. 
A fotografia passou pelas mãos de todos. E todos sabiam exactamente o significado que ela tinha para o amigo. Há gente que guarda na carteira o retrato da mãe, do pai, da mulher ou da amante. O Zé guardava esta fotografia e olhava para ela, vezes sem conta, sempre que precisava matar saudades do tempo em que havia esperança.

(de um texto por publicar)