segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

há histórias assim!


e o mundo é uma ilha … uma ilha de afetos e instantes que nos trazem à memória sorrisos estridentes e mornos.
José António Gonçalves , Conselheiro Permanente  das Comunidades Madeirenses, é um homem que precisava de mais mundo… da ilha já conhecia quase todos os mundos. Em 1982, trocou a Madeira pela Bélgica e, quase sem dar por isso, e apesar do frenesim profissional, tropeçou no coração de uma belga, por quem, passados já largos anos, ainda fala com paixão!
Há histórias assim!
E há histórias que nos surpreendem…  sim, porque sem que eu sequer imaginasse, a infância de José António Gonçalves, cruza-se com os recantos da casa da minha avó... o beco, as escadas, as vozes , as gargalhadas e os olhares ternos.  Há histórias assim!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Pistas de conversa


Manuela Rosa e Estêvão Rosa:
-  A(s) comunidade(s) portuguesa(s) na África do Sul
- Os homens e as mulheres
- As diferenças entre portugueses do continente e portugueses da Madeira
- A Casa Social da Madeira e a Liga da Mulher Portuguesa
- O trabalho e a missão [entre a lei e a intuição]
- Caminhos que se cruzam
- Parcerias

Fomos depois espreitar. Encontrámos isto:

http://bibliotecamulhermigrante.blogspot.pt/2009/09/comunicacoes-os-encontros-para.html 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

REFLEXÃO


La historia oral es la historia hablada: el registro de los recuerdos irrepetibles y las historias de vida de la gente.
Robert Perks

As conversas são redondas. Como a ilha. Como o mundo. Hoje, numa conversa de que daremos conta brevemente, percebemos como a História  está ao alcance da nossa mão. De memória em memória, fomos percorrendo sonhos e realizações. De memória em memória, foram-se juntando as peças de um puzzle que só agora começámos a construir.

De repente, cruzaram-se os nomes. E os lugares. E as histórias. A conversa de hoje tocou a África do Sul do Senhor Manuel e o Septeto Passos Freitas do Senhor Elmano.  A Memória das gentes é efetivamente a Memória da Ilha.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Mobilidades: de memórias e de afetos (não) reza a história?

Foi disto que falámos, ontem, na conferencia que fomos fazer aos formandos do Curso EFA – B3B, da Escola da Torre, em Câmara de Lobos.

Percorreremos os caminhos dos migrantes: os que foram e os que vieram; os que partiram e os que regressaram, os do “até ao meu regresso” e os do “até nunca mais”.

Falámos de emoções e de saudades, de lágrimas e de sonhos. Falámos de Memórias. Juntos. Percebemos que, dentro das casas, se guardam tesouros e se escondem verdades que a História nunca contou. Apelámos à(s) partilha(s) e à participação neste Projeto. Encontrámo-nos com o passado para, num presente complicado, prepararmos o futuro.

Agradecemos o convite dos coordenadores do curso. Sentimo-nos muito bem na vossa casa. Ficamos, agora, à espera dos vossos documentos. Tudo é importante para se entender a História. Todos são fundamentais para fazer deste Projeto, um novo caminho para a investigação.

Bem hajam!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013


HISTÓRIAS DE GUERRA E DE PAZ (PARTE 2)

- E a guerra, Sr. F.?

- Não gosto de me lembrar. Mudávamos de sítio durante um dia. À noite, havia emboscadas. Mesmo assim, uma vez, um rapaz abafou uma granada com o corpo. Íamos morrer todos. Não sei se tinha coragem de fazer o que ele fez.

- Um herói.

- Acho que a família recebeu uma medalha. Para quê?

Não sei se o silêncio que a minha memória guardou, foi o silêncio da voz, ou o silêncio de mim.

- Doutra vez, o jipe que ia à nossa frente ficou estilhaçado. Era uma mina. Por muito que viva, não posso esquecer. Nunca.

A mulher do Sr. F. calou-lhe a angústia:

- Chegou aqui que ele tinha morrido.

Contou que o pai que trabalhava para o Blandy, deitou ao Comando para saber… Acontecia muitas vezes: 

- Houve uma rapariga que se casou antes do noivo ir para a guerra. Foi e nunca mais deu notícias. Foi dado como morto. E ela, que era nova, voltou a casar… Mas um dia, ele voltou.

- E depois?

- Devia ter ficado dividida. Mas já tinha filhos…. Não sei o que foi feito dela

[confesso que gostaria de saber…]

A conversa, entretanto, foi mudando de rumo,

- Tinha um colega… era doente… só comia sopa… chorava todas as noites… de saudades… do medo de morrer…. da dor dos pais. Rezava…. era demais….

- E o Sr. Francisco, rezava?

- Eu, não. Quer dizer, pedia à Senhora do Monte que me deixasse voltar… Tinha lá uma Bíblia…  Ofereci-a ao João.

[O João é o mais velho de oito filhos. Tinha os olhos presos nos olhos do pai.]

 - E em casa?

[lembrei-me das palavras de Pessoa e d’ O Menino da Sua Mãe:

Lá longe, em casa, há a prece,

Que volte cedo e bem,]

- Recebíamos notícias. Vinha o helicóptero – acho que era um helicóptero – , atirava o saco e o sargento – devia ser o sargento – chamava os números… Era uma alegria quando as notícias eram boas. Era uma dor quando não vinha nada.

Uma nota de humanidade: os soldados liam as cartas sozinhos,

- dava sempre vontade de chorar,

mas o oficial chamava um por um para saber se estava tudo bem, se as notícias tinham sido boas, se ….

Escrevia também: à noiva, à mãe. Nos aerogramas, não pagavam. E dizia que sim, que estava bem, que ia regressar. Claro que não contava do medo, nem da dor, nem

 

A guerra roubou-lhe a juventude. E a saúde.

- Mas voltei. Vim a 15 de agosto de 1964. Não sei se foi milagre da Nossa Senhora do Monte…

Trabalhou muito para poder casar, três anos depois.

- Ainda dava saltos na cama…

- Nunca me hei-de esquecer. Nunca.  

Rasgou as cartas. Guardou apenas algumas fotografias num álbum que os filhos gastaram à força de o folhear. E três livros: a Bíblia, um livro de receitas e um outro… proibido.

Guardou o silêncio. Não fala muito destas coisas.

- Já não dói tanto, agora.

E pronto. Agora, a sua história é de paz. Sorri. Cumpriu. Cumpriu-se.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Histórias de guerra e de paz (parte1)


Ontem, estive com o Sr. F. Tem um sorriso doce, o Sr. F. À volta da mesa, as palavras soltaram-se-lhe ao ritmo alucinante das memórias.

- Nunca ouvi o meu pai falar tanto.

Mas foi falando. Que não queria ser gravado. Que talvez um dia. Que eu podia escrever estas coisas, assim, na soltura da língua.

Era um rapaz. Andava para casar.

-Engracei-me com esta cristã…. 

Olhou para a mulher. Sorriu. Tocou-lhe na mão. Ela riu-se. Disse-lhe qualquer coisa, em tom de brincadeira, tentando cortar a emoção.

Muitas casaram com os noivos antes de eles se irem embora. Ela não: se tivesse de ser, seria. Não se importava o dinheiro que podia receber, enquanto ele estivesse na tropa. Mas, ser mulher de soldado… e se ele não voltasse…

E ele continuou: em rapaz, esteve para embarcar, mas não embarcou. Era muito complicado. Só se fosse ilegal. Mas muitos tinham sido presos e isso…

Quando a carta de chamada chegou, no finalmente das esperas, a Junta chamou. E ele foi. Teve de ir.

- eu não queria ir à tropa.

E embarcou para um quartel qualquer no continente. Era o número…..59. Nunca se há-de esquecer deste número. Nunca se há-de esquecer de o ouvir no meio de outros:

- Angola.

Nunca se há-de esquecer das palavras de Salazar. Nunca se há-de esquecer. Não sabe das lágrimas da mãe quando se foi embora. Duplamente só.

- Todos tinham alguém no cais. Havia uns rapazes que levavam panos de cores para que a família os identificasse no meio das centenas de soldados que embarcavam no Quanza…. Subiam aos mastros para verem mais, mais longe, mais longe. Eu não tinha ninguém. E isso é muito pior. Muito pior.

Confesso que me deixei ir. E vi aquele soldado, pequenino – o Sr. F. é muito baixinho – a chorar, sem lenços,

- e deixar esta rapariga….

Olha terno para a mulher. Ela ri-se, desconversa, não o deixa avançar muito na emoção.

- Perdi a minha juventude.

- Não esperei por ti?

Os filhos têm mares no olhar. Vão puxando, eles também, memórias guardadas há mais quarenta anos.

- O pai era cozinheiro.

  - Era. A minha sopa era conhecida. Os oficiais queriam a sopa do rancho geral.

- O que se passou!!!! Ficámos por ali, perto do Congo. A cama era o chão. O travesseiro era a terra. Fomos para o norte.

- Cozinhava em andamento. A cozinha era um atrelado. Mas tinha tudo. Fome não se passava. Às vezes, o oficial mandava distribuir o que sobrava pelo povo que se encontrava no caminho.

- Havia um pretinho…

- Aquele da fotografia, pai?

Que sim. Andava sempre com a companhia. Tiraram-no do mato. Quando voltou com o retrato, o sogro metia-se com ele:

- não me digas que é teu filho, o miúdo…

Que muitos tiveram amores pelas áfricas. Ele não. Queria que aquilo passasse depressa. Foram três anos. A juventude inteira [que quem vai à guerra, já vem velho. E doente].

CONTINUA ….

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

OUTRA(S) HISTÓRIA(S)

Entre o amor e uma carreira na Alemanha, escolhi o amor.

Muitas pedras da minha casa foram ganhas a cantar. E a tocar. E a escrever músicas.
 
Chama-se Elmano Gomes. Tem 78 anos. A sua vida passa pelo Septeto Passos Freitas, pela Orquestra de Câmara da Madeira, pela Academia de Musica e Belas Artes, pela Escola Hoteleira, pelo Marítimo, pela Juventude Católica Antoniana, pela Casa do Povo de Santo António, pelos palcos da ilha, pelos caminhos que o mundo trouxe para a Pensão Astória e para a Residencial Monumental.
 
 
Trouxe-nos músicas e memórias... Trouxe-nos nomes e saudades. Trouxe-nos sonhos antigos e projetos de futuro...
 
Vai trazer-nos os papéis... e os retratos que guarda ao abrigo dos pombos e dos canários que lhe lembram outros sons, de outras melodias, de outros tempos.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Uma carta que a literatura guardou

Maria de Jasus: Gracas a Deus vua indo bem na casa. Os patroes so no sabado e que vem ao escritorios pagar a feria. Eu ainda nao os intendo proque eles falo ingles e na conhecem a nossa fala. Aqui tudo e munto grande comparado com ei nossas casas e ruas. O jardim é comprido. Maria de Jasus, espero tar aqui cinco anos e ao depois vua a Madeira p’ra gente se casar. O dinheiro de quatro anos deve chegar para manda fazer ũa casa. Nao ha cuma se viver naquilo que e nosso. Nao se paga renda nem o dono aumenta renda. Ja tenho soidades de ti e alembro-me sempre do Palheiro Ferreiro onde nos conhecemos, naquele mes de Maio. Da soidades a tua mae e arrecebe muntas soidades que so a vista terao fim, do Manulinho. (Gouveia,Horácio Bento, 1959, Lágrimas correndo mundo, pp. 65-66)

sábado, 15 de dezembro de 2012

Encontrei isto. Era o tempo a sair do álbum e a contar do meu avô que conhecia o mundo e colecionava a ilha que morava nos maços de tabaco de há muitos anos atrás. Encontrei lá dentro as memórias de um tempo que já não existe porque o tempo vai e não volta. Como a vida. Como a vida. Como as pessoas. Encontrei o mundo ilhéu dos anos 50, legendado pelo amarelo da caixa, misturado com restos do dote de uma das mulheres da casa, embrulhado em papel de seda com cheiro a naftalina. Partilho-o. O Projeto Memórias precisa da sua generosidade. A sua história será a próxima protagonista. Dentro do baú há uma caixa; dentro da caixa há o passado; dentro do passado há muita força de futuro.

sábado, 8 de dezembro de 2012


Escrevi:

 

O tempo passou. Doce. Tão doce. Uma espécie de algodão de feira, uma gargalhada clara, apagada rapidamente pelo vento que a leva para outros mares. O tempo – uma gargalhada de algodão doce. Efémero.

Ficaram recados escritos nas nuvens, pegadas deixadas em areias inventadas de praias imaginadas. Ficaram ecos de suspiros e fiapos de gargalhadas. Ficou a vida em restos de papel, dentro de um envelope amarelecido pelos anos.

Agora, sim. Vou abrir….

 

(in Na espera do teu beijo, um romance que [ainda] dorme dentro da gaveta.) 

 

Foi assim que abrimos o envelope do Manuel. Com emoção. Era a sua vida. Entre o secreto e o social: trouxe-nos a última carta da mãe, a oração que levou na algibeira para que o céu o protegesse dos desatinos do mar, o passado. 

               Foi assim que lemos as histórias da Teresa. Com o Norte nos olhos. Eram as suas memórias, o seu tempo: o tempo de casa, o tempo do trabalho, o tempo da criação.

               Quem se segue? Sabemos que há tantos tesouros escondidos dentro das casas…. Estamos aqui para os acolher.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Memórias são como cerejas



Teresa Valério partilhou connosco uma parte de si. A sua escrita. Palavras aconchegadas pelas memórias do Norte da Ilha, o seu berço. Foi lá dentro ( de si e da ilha) que foi buscar o mote para alguns dos seus contos – a vida dura do trabalho do campo, o quotidiano, as doenças, os partos, a distância da cidade, o bordado e até mesmo a construção da estrada que ligou as freguesias desta parte da ilha com o Funchal. E, apesar de contar histórias, sim, são histórias, mas são, sobretudo parte da História ( a dela e a da ilha). Bem haja pela partilha.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Num almanaque: a vida....


Estamos em 1953. Um Almanaque Popular serve de diário pessoal de uma mulher. Nele, a lápis, numa letra corrida, informações, recados, reflexões, desabafos, promessas, apontamentos avulsos que apontam quotidianos.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

A PROPÓSITO ....

Os não-ditos que no vapor
zarparam, regressam
à ilha, que de Maio
barbaramente se arrancou.

não é certo o destino nem é errado o abismo
nem será o verbo um pelintra postergado.
   
                                                    Serão as lágrimas derivadas de uma sufixação?
Claudia Faria       

                                              

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Uma história: a primeira / Life story: the first


Chama-se Manuel. O medo da Guerra do Ultramar fá-lo sair de casa aos 12 anos, para a África do Sul. Sozinho. Com a mala cheia de sonhos e de ambições. Um menino. Um homem. 
No cais, o pai e a professora. A mãe, em casa, o terço entre as mãos, pedirá por aquele filho que vai. Porque o tempo é de ir. No cais, os lenços brancos são asas que a saudade leva no Vapor do Cabo e que há-de trazer em forma de carta, de remessas, de esperanças.
Hoje, Manuel é um homem feito. A vida mudou-lhe o semblante. Brilham-se-lhe os olhos quando partilha as coisas que traz: fotografias, cartas, passaportes, documentos soltos que construíram o seu mundo pelo mundo fora, a santinha que a mãe lhe meteu na algibeira a hora de partir.
Está na ilha, agora. A sua casa. Cumpriu.
Chama-se Manuel. Já fez 60 anos e tem muitos sonhos para realizar. Partilhou connosco as Memórias. Autorizou esta partilha. A História da Ilha agradece a sua História. E precisa da sua, também.



 
 
He is Manuel. The fear from being called to Portuguese overseas war, forced him to leave home and head to South Africa. He left with a bag full of hopes and dreams. A little boy. A man to come.
At Funchal pier, his father and his school teacher waved him goodbye. At home, his mother prayed to Our Lady. It was time to go. He stared at the white scarves, shaped already in the longing that we would try to tame every time a letter from Madeira arrived.
Today, Manuel is a grown up man. Life has given him so much. His eyes shone when he showed us his treasures: old photos, letters, passports, and so many other papers that have been part of his life, and in particular the image of Our Lady offered by his mother at the time of his depart back in 1964.
He has come back to the island, his home. He has fulfilled one of his dreams. 
He is Manuel. He is sixty years old and he still has so many dreams to catch. He has shared some of his past memories with us. He has given us permission to share them with you, as well. Madeira Island’s history thanks him a lot!  So do we! Wouldn’t you like to tell us your story?   

sábado, 24 de novembro de 2012

CARTAS, CARTEIROS E MULHERES


A rua da minha infância era uma rua de mulheres, na parte da manhã. Todos os dias, por volta das onze, enquanto o almoço ganhava corpo no fogão e a roupa da cama se arejava à janela, as portas entreabriam-se e elas esperavam o carteiro no caminho.

Era a hora de todas as esperanças, de alguns medos, de sonhos eternamente adiados. O Sr. Agostinho tinha os olhos da cor da distância, claros de mar e de saudades e uma voz doce, um pouco enrouquecida do sol e da chuva, dos subires e desceres das ruas daquele tempo.

 Na bolsa de couro do Sr. Agostinho, guardavam-se segredos que as folhas de linhas azuis revelavam , no rasgar cuidadoso do envelope, no estalar do papel, na nota que vinha dobrada em quatro e que cheirava às venezuelas e aos brasis dos sonhos velhos,

“Minha querida e sempre lembrada Maria”

na eterna vontade de ter casa sua, de trazer anéis nos dedos ou um dente de ouro a iluminar o sorriso.

O Sr. Agostinho parava a rua da minha infância, por volta das onze: era a carta de chamada que preparava outras partidas, era a prova de vida do soldado que tinha ido lutar pela pátria, em nome de um dever juvenil nas picadas do ultramar, era a saudade molhada de sal de outros mares de quem tinha ido à procura de mundos, de vidas, de quem tinha fugido da tropa, de quem não estava. Simplesmente.

Os ausentes faziam pontes de papel com os que tinham ficado na rua da minha infância:

- Vizinha, recebi carta do meu António.

E a vizinha lia as palavras e os silêncios e os não-ditos e as perguntas e as respostas e as promessas,

- adeus, adeus, até ao meu regresso,

que alimentava as semanas das mulheres da rua da minha infância.
- Então, Sr. Agostinho?
- Hoje, não há nada.
E o silêncio. E o medo. E a angustia de receber uma carta com a tarja preta do luto.
O Sr. Agostinho já não distribui as cartas e os postais de paisagens de neve que chegavam em pleno Agosto. Guardo dele, os olhos e a voz. Guardo o sorriso. E a imensa curiosidade de criança de conhecer os futuros que abrigava dentro do saco.

Já ninguém espera o carteiro na minha rua. O coração já não bate à vista do selo. Já ninguém limpa as lágrimas ao ponto final,

 “Adeus até ter notícias tuas”.

E é pena.
Daí este Projeto: para que, nem as cartas, nem as memórias, nem as emoções se percam!
 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Estamos à espera das vossas histórias, das cartas que o tempo guardou, dos documentos que amarelecem no fundo das caixas, dos retratos que dormem no fundo das gavetas. Queremos que eles sejam protagonistas da História. Da nossa. Da Ilha.

We are waiting for your stories, for the letters that time has kept, for old papers hidden inside boxes, for fainted photographs locked in drawers. We want to make them the main character of History. Of our  own History. Of the Island's History.