sexta-feira, 11 de outubro de 2013
MOBILIDADES
Entre documentos vários, apareceu-nos isto. Imaginemos alguém que vai emigrar. Imaginemos a angústia de não saber falar a língua da terra para onde se vai. Imaginemos as dificuldades que isso havia de trazer....
Obs: este e outros assuntos serão tratados no Colóquio Mobilidades e Identidades, aqui, no CEHA, dias 21 e 22 de outubro.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
O QUE É?
Às nossas mãos, vão chegando histórias, documentos, fotografias, papéis que, muitas vezes, só fazem sentido quando contextualizados pela memória de um tempo, de um lugar, de uma pessoa...
Guardamos a nossa memória em "coisas". Da mesma forma que há guarda-documentos, guarda-joias, há guarda-memórias.
Esta é uma delas. Cheira a capim e a saudades, a idas e a regressos [felizes ou não].
Falaremos destas e doutras coisas,no Colóquio das Mobilidades, nos dias 21 e 22 de outubro.
Gostávamos que estivesse connosco. A entrada é livre!
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Lugar de Baixo, 21 Janeiro de 1920

Meu para mim sempre lembrado e querido Francisco muito estimo que esta te vá encontrar de perfeita saúde que é esse o meu maior desejo que quanto a mim e meus filhos ao fazer d'esta é melhor que se merece do pae do céu. Meu adorado marido eu recebi a tua estimada e desejada carta na oitava do meio estimei muito em saber as tuas notícias e não calculas a minha alegria parece que enloqueço de contentamento quando recebo carta tua ....
Venha saber mais acerca desta história! Contamos consigo nos dias 21 e 22 de Outubro.

Meu para mim sempre lembrado e querido Francisco muito estimo que esta te vá encontrar de perfeita saúde que é esse o meu maior desejo que quanto a mim e meus filhos ao fazer d'esta é melhor que se merece do pae do céu. Meu adorado marido eu recebi a tua estimada e desejada carta na oitava do meio estimei muito em saber as tuas notícias e não calculas a minha alegria parece que enloqueço de contentamento quando recebo carta tua ....
... e assim escreve Maria da Conceição para o marido que está emigrado no Curaçau. São folhas amarelecidas pelo tempo que passou e onde se gravou os anos de uma vida de esperas. Nas entrelinhas desvendámos as histórias não contadas ....
Venha saber mais acerca desta história! Contamos consigo nos dias 21 e 22 de Outubro.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
SOBRE A GUERRA E O AMOR
António
procurou-nos. Guardava uma história de amor dentro de duas capas de cartão.
Ele, no Ultramar, em Angola, tentava sobreviver à angústia da distância e ao medo
de morrer. Ela, na Ponta de Sol, em pleno Atlântico, assume o papel de Madrinha
de guerra, a que cuida, a que apoia, a que reza.
Aos poucos –
porque a guerra tem muitos lados - , o afilhado pede-lhe o coração. E ela, um
pouco a medo, talvez, vai lho entregando. Em palavras. Cuidadosamente
desenhadas.
Lemos esta
história que as cartas guardaram. Trabalhámo-la. Guardámo-la nas Memórias, como
os protagonistas as guardaram: com cuidado.
Ele voltou
da guerra. Ela estava à espera dele. Estão casados há muitos anos.
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
NA LANCHA
Entre a juventude que a ilha representava e o dever que a
Pátria exigia...
Entre a casa e um lugar longe do qual muitas vezes não se
sabia o nome....
Entre o cais e o navio grande....
Entre a vida e a incerteza...
... a lancha...
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
Memórias da pele
As memórias colam-se à pele. Escrevem-se nela. São memórias da vida e do mar. São memórias de um tempo em que o enjoo passava com pão molhado na água salgada. São memórias da Machiqueira a levar e a trazer passageiros da cidade para Machico, de Machico para a cidade. São memórias de lanchas e de pescarias, da vida.
O Mestre João contou-as na primeira pessoa. Os olhos ainda navegam. Como a lua, quando a tempestade se forma no fundo do mar.
Mestre João, CEHA, 23 de setembro.
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
e quem se lembra do Fontes?
Vasco Fernandes, o Fontes ( nome de guerra) comercializava filigrana .... subia a bordo dos navios que aportavam no Funchal .... e....
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
Gentes do porto e do mar .....
e ontem foi assim ... partilhámos histórias ... memórias ... e (re)contamos a vida na primeira pessoa
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Bombote e Mergulhança
Amanhã. 18horas. Gare marítima. Conferência. Memórias do Porto. Nós e eles: os bomboteiros, os mergulhadores, o Dia de São Vapor.....
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quinta-feira, 12 de setembro de 2013
estrelas de prata .....
terça-feira, 10 de setembro de 2013
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
terça-feira, 3 de setembro de 2013
sábado, 31 de agosto de 2013
Conversas velhas
Em conversas velhas de tempos antigos, Lília desencantou
esta fotografia. O pai, bomboteiro, expunha, no convés do Noruega, os bordados
que trazia na lancha: uns devidamente certificados, outros, não.
Ficámos à mesa, desfiando memórias: que nadava entre as
lanchas, com os rapazes, que o pai lhe gritava da canoa que voltasse para
casa, que aquilo não era para raparigas, que eram tempos duros, que tem
saudades, que.
Viviam ali, na babugem do mar, no Beco do
Socorro. Viviam dos navios e do que se passava à volta deles. De vez em quando, no bolso do casaco do pai, havia um chocolate, um sabonete, uma novidade. Era o luxo do mundo que entrava em casa.
Ficámos à mesa. Nós. Um pouco perdidos no navio, no olhar de marítimo do pai da Lília que tentava lembrar-se do número da licença que estava gravado na barreta.
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
o cais das nossas vidas .....
A meia travessa, um encontro
inesperado no deck do Lobo Marinho ….
- Estiveste de férias?
- Sim! E tu? Foste visitar a
família?!
- Pois … tem de ser!!!
E por entre recordações de
infância e adolescência, na ilha dourada, o cais do Porto Santo: pano
de fundo para tudo o que de importante se passava nas nossas vidas naqueles
tempos em que o sal do mar se misturava com o sal da vida…. tomou conta da conversa. Trindade
Melim recordou, com um sorriso largo nos lábios e os olhos raiados de saudade,
os tempos de menino ...
- Sabes, quando chegava o barco (Maria
Cristina, Devoto, Arriaga) nós ficávamos à espera … Os homens descarregavam as
mercadorias e nós, os pequenos, se avistávamos um carro (uma corsa) livre,
pegávamos nele e ajudávamos a colocar as bagagens … Por cada carreto entre a
ponta do cais e a atual Praça do Barqueiro ganhava-se 2$50 …
- E davam mergulhos? – Perguntei, partilhando o
entusiasmo e recordando também a azáfama do velhinho cais das colunas …
- Sim. Mas não muitos!!! Os
estrangeiros eram poucos. Muito poucos!! Mas quando lá aparecia algum, um de
nós atirava uma moeda (a servir de engodo) e um grupo começava a mergulhar…
dava pouco … isso e os carretos talvez chegasse a 20 escudos … em dias bons,
claro!!!
E fomos ficando, assim os dois, nesta
conversa marinha, embalados pelo tempo que o balanço do barco sugeria….
- Um dia destes, hás de contar-me
mais coisas.
Trindade prendeu os olhos no mar.
Disse que sim.
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
DE REGRESSO

Estamos de volta às Memórias das Gentes que fazem a história. Entre o Porto do Funchal, o Ultramar e os muitos países para onde os madeirenses levaram a ilha. Neste Palácio das Mercês, queremos ouvir a sua história de vida, valorizar os documentos que repousam no tempo, dentro de caixas esquecidas, entender a história do nosso arquipélago, a partir das suas lembranças, dos registos que foi fazendo.
Estamos de volta. Aqui. Venha ter connosco!
RUA DAS MERCÊS, 8
FUNCHAL
terça-feira, 13 de agosto de 2013
RAPAZES DA MERGULHANÇA OU
APANHADORES DE ESTRELAS
Eram rapazes com pele de mar. Era
miúdos a crescer na pressa dos dias, a querer participar no movimento colorido
das canoas a povoar o azul do mar.
Eram anfíbios: corriam atrás da
bola de trapos no Campo Almirante de Reis e enfiavam os corpos franzinos no
mar, como se aquele fosse também o seu lugar. E era. Eram apanhadores de
estrelas. Ora do céu. Ora do mar.
Quando o navio chegava, saltavam
para a água, da canoa ou do navio, ao encontro da moeda que os ingleses lhes atiravam. Se branca,
melhor. Dava para mais: para um almoço de meio pão com molho, para uns
cigarrinhos que ajudavam a enganar o tempo.
Alguns eram verdadeiros artistas
– desenhavam movimentos aéreos, atravessavam o navio de ponta a ponta a ponta,
apresentavam a moeda presa entre o polegar e o indicador ou entre os dedos dos
pés. E pediam palmas. E agradeciam como
os verdadeiros acrobatas. E queriam mais.
Nas canoas, outros rapazes preparavam-se:
o Anão, o Venena, o Jana e os outros, os da mergulhança. Às vezes, tentavam
fugir. Da mesma forma que fugiam da escola. Outras, eram apanhados pelo Cabo do
Mar, ou porque não tinham licença, ou porque….
Quando os barcos vinham de noite,
saltar do barco era uma aventura maior. Era como se uma estrela saltasse do céu
e descesse aos ziguezagues, no bailado prateado da maré. Tinha de ser branca.
Melhor, portanto.
Às vezes, enganavam os turistas –
talvez não se chamassem assim, nesse tempo, os senhores e as senhoras que se
embebedavam da beleza da aproximação a terra. E enfiavam a moeda – que,
efetivamente, tinham apanhado – na dobra do calção de ganga rude e pediam mais.
Desse tempo de meninice, ficaram
os restos dessa meninice que ainda se percebe nos olhos do Duílio e do Jana.
Sobrevivem à vida, às marés e às mudanças. Sobrevivem e contam, com orgulho,
como eram os tempos e as coragens, como era a vida na Rua de Santa Maria, de
que cor eram os sonhos, com que linhas se cozia o futuro.
Os outros miúdos olhavam-nos com
alguma inveja. E imitavam-nos, saltando das rochas da Barreirinha, atrás de
caricas brancas como as moedas que vinham do resto do mundo. São parte das
Gentes que fazem a Historia. Guardamos as suas Memórias, no âmbito do nosso
Projeto, no Centro de Estudos de História do Atlântico. Graças a este Projeto
de Memórias, é possível descobrir novos heróis e protagonistas da ilha, da
cidade e do porto do Funchal. Estes meninos-mar são personagens da História do
Porto. São heróis de uma cidade com o mar aos pés. Não podemos deixar que o
tempo os esqueça.
in JM: 13 de agosto
sexta-feira, 26 de julho de 2013
... os bandidos ....
A tarde de ontem estava morna .... o mar e o céu, ambos envoltos numa neblina densa e inebriante ... a baía sossegada ... a conversa recuando cada vez mais no tempo ... outras épocas, outras gentes, os bandidos!!! (da PIDE!) ....
Dona I. recorda esse tempo [maldito] … e sem sequer proferir uma palavra, sentimos a dor que as lágrimas não conseguem disfarçar. Aguardamos em silêncio... aquele silêncio que vai falando ao coração.
Dona I. vai bebericando o café, devagar ... sempre devagar .... a pressa já não mora aqui [ aos 80 anos, o tempo tem todo o tempo para oferecer] ... e vai contando a história do pai.
- era um simples carpinteiro, mas meteu-se na politica. Teve de fugir. Eu tinha apenas 2 anos. O meu irmão talvez uns 11. Era ele e mais 3. O combinado era encontrarem-se nas Cruzes, de noite e depois irem juntos para a praia onde uma canoa os levaria até a um barco que estava ao largo ... bem longe. O meu pai conseguiu. Os outros dois não.
… volta a bebericar o café ....
- Fugiu para a Espanha (não sabe mais detalhes). Recebíamos cartas com um nome espanhol [já não me lembro sequer desse nome]. Até que um dia o meu irmão mandou dizer que ia casar. Já era um homem feito. As coisas estavam mais calmas e o meu pai chegou de surpresa.
… as lágrimas deram lugar a um sorriso largo … neste recordar do momento em que olhando para o porta de casa exclamou incrédula:
- é o meu pai!!!!
A alegria durou pouco. Logo no dia seguinte a família foi visitada por um agente da PIDE. E dias depois, o pai desapareceu … desta vez …. para sempre.
terça-feira, 23 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
.... dentro de um livro .....
Dentro de um livro, perdido entre recortes e outros papéis
guardados para não se esquecer, encontrámos este documento.
Talvez valha pouco. Há de valer, pelo menos, um momento feliz (ou não) de quem, em 1930,
enfrentou o mar a bordo do Manuel Arnús.
Como este, outros
papeis andam por aí. Já pensou na(s) história(s) que este cartão encerra?
We have
found this document inside a book that was kept among other papers.
We are not
really sure about its importance but we can only guess that perhaps it is the
memory of a happy moment for the one, who in 1930, entered on board the vessel
Manuel Arnús.
We are sure
there are so many loosen papers like this one kept in old boxes and cold
attics.
Have you ever wonder how many secrets can a simple sheet of paper hold?
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