segunda-feira, 10 de março de 2014

Campeões



O insular ama o mar. Vive com ele, lado a lado. Às vezes, o mar fá-lo chorar. Outras, não. 


 José Custódio esteve connosco já há algum tempo a contar a sua história. Foi um campeão. Tratava a água do mar e das piscinas por tu. Trouxe-nos memórias de  juventude. Trouxe-nos amigos e viagens. Trouxe-nos a saudade de um tempo feliz, em que a natação fazia parte da vida. e o sucesso. e a saúde.

 

quinta-feira, 6 de março de 2014

Dinheiros...

Por entre cartas que contam a ilha, que falam de casa, dos filhos e da saúde... chega o tempo... De 1919, num papel que o século amarelou, o dinheiro...

(...)


Carta gentilmente doada por Teresina Teixeira



segunda-feira, 3 de março de 2014

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Uma memória de amor...

 Tinha 17 anos, era muito maduro, romântico, cheio de sonhos e queria abraçar o mundo. O tempo em que nasci era muito romântico e eu lia muito, apesar de ter pouca instrução: Steinbeck, Jonh dos Passos, Hemingway,Charles Dickens...
Já trabalhava como desenhista, numa fábrica de bordados... e pedi ao meu pai para me deixar ir, uma vez mais, a casa do meu amigo Carlos – que ainda hoje venero como irmão – a Vila Nova de Famalicão, no belo e verde Minho. Ele tinha uma irmã. Não sei quando nem como senti-me apaixonado por aquela moça. Ela não era bela nem feia, mas muito esbelta, muito simpática e muito carinhosa, não só para mim como para os outros.
Lembro-me que era uma tarde quente de verão. Nós dois estávamos no terraço e, apanhando suas mãos, lhe disse que a amava com todo meu coração. Ela sorriu e me falou:
- Menino, eu sou mais velha 6 anos que você,e seria bom que voltasse para a escola e depois então falamos... Respondi que não me importava da diferença de idade, pois era o amor que eu tinha por ela.
- Será que você não sente nada por mim?
Ela, com um doce sorriso, me respondeu que me amava, mas que era um caso impossível para a época, por causa da diferença de idade. Namoramos sem ninguém ver ou saber. No meio disto, havia um senhor abastado e mais velho do que ela que queria casar e os pais dela olhavam essa possibilidade com bons olhos. Fiquei desesperado e me lembrei de um filme que tinha visto: eram dois jovens apaixonados que os pais não queriam que casassem. O nome do filme era Explendor in the grass...http://www.youtube.com/watch?v=dWDkdsZQq_c E resolvi imitar o protagonista...


Augusto Sousa.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"atesta por sua honra..."

Para emigrar, era necessário fazer prova de que se estava bem, de que não se sofria de nenhuma doença contagiosa ou mental.
Por entre papéis guardados e gentilmente emprestados por Teresina Teixeira, este:
Atestado Médico

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Da infância


Dentro de um envelope, uma história de vida...  
 

 
Apenas alguns trechos...
 

“da Ponta do Pargo ao Funchal, de horário, era um amédia de 4 horas e meia a 5 horas”


O poço...
“a minha infância não foi muito fácil, que tinha de trabalhar: regar as verduras, as semilhas, o feijão”

“a bola era uma meia com panos e o brinquedo, um  pião “




quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Newsletter n.º 14 - Escrever vidas

Construir uma vida. Habitar as memórias, trazendo o tempo para as palavras. Empreender uma viagem pela história pessoal e, porque não pode ser de outra maneira, pela história dos lugares que habitamos, pela história da Ilha.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

um sobrescrito...

De vez em quando, Manuel Costa traz um bocadinho mais da sua vida. Este ano é, para ele, um ano especial. Há 50 anos, menino ainda, sai para a África do Sul, à procura da vida. Vai fugido a uma guerra colonial que conhecia através do olhar: rapazes que iam e vinham diferentes: mais velhos, mais parados, feridos; mães que recebiam cartas a dizer...
Manuel não queria que a mãe chorasse dessas lágrimas. Por isso foi. Antes de ser homem. Fazendo-se homem antes da altura de se entender o que é isso de crescer.
Não sabe por que razão a mãe guardou este envelope. Vazio. Trouxe-o no meio de outras coisas desse primeiro ano de ausência. O que viria escrito lá dentro? Que recados? Que saudades? Que coragens? Que medos?

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Retalhos do tempo



Passados muitos anos sobre a morte do pai, os filhos encontram, no forro da gaveta, uma série de agendas onde se escreve a vida de uma homem do mar... Partilhamos duas páginas dessa história - já digitalizadas e encadernadas, conforme me chegou às mãos.


Na apresentação desse documento - presente de Natal aos mais próximos - este parágrafo:





" Em sua honra, pai, (...) reconhecemos a sua capacidade de ter sabido ser uma pessoa arrojada por entre as ondas do mar, piloto das artes de navegar. (...) Assim, pai, saibamos ser sábios como o senhor, com cabecidade, palavra que inventou para nos educar" (E. F. )



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

LEMBRA-SE?


Pormenor do Presépio dos Bombeiros [Calheta]
Pensar memória é pensar as casas que fizeram parte das nossas vidas: ricas ou pobres, grandes ou pequenas, nossas ou arrendadas, a verdade é que, por entre as brumas do tempo, há um lugar que nos ajudou a criar...

Por entre as histórias que temos recolhido, há casas. Dentro das casas, a cozinha é sempre um lugar que guarda lembranças de pão ou de fome, de objetos que já não há, de uma mesa à volta da qual se comia, se falava, se liam as cartas que vinham de fora, se chorava e se deitava contas à vida.

Hoje, a memória é a de uma cozinha que, no longe que os anos trazem, nos fazem lembrar pessoas, momentos,  sentimentos, sabores, saberes...

Convidamo-lo a partilhar connosco as memórias das cozinhas que – de um jeito qualquer – fazem parte da sua história.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Histórias das histórias de vida


 Universidade Sénior do Funchal

 

Lançámos o repto: e se se escrevesse a história de vida? No início, um pouco a medo, depois, com a vontade que as memórias vão trazendo, fomos falando do tempo e do que ele mudou; fomos escrevendo histórias, atrás de um guião que não era mais do que isso: um caminho.

Por entre escritas do eu e do mundo, ora alegres, ora tristes, fomos recebendo capítulos soltos de histórias da Ilha que, num determinado ponto da linha dos anos, tocou a história de alguém:

Partilhamos, hoje, este excerto que Maria da Graça Fráguas escreveu no dia 5 de dezembro de 2013, no CEHA:

Entre casas e lembranças, fala de CINEMA. Há 60 anos, era assim:

 (...) O meu pai filmava tudo, Os filmes, rolos de 8mm eram enviados para a Alemanha a fim de serem revelados. Quando chegava, havia festa em casa. No quintal era colocado um lençol branco, cadeiras alinhadas: as mulheres sentadas e os homens em pé, para darmos início à sessão de cinema. Passavamos a tarde a rir e a comentar os filmes da nossa vida, terminando com filmes mudos do Charlot”.

Nesses filmes de casa estão certamente quotidianos, festas, passeios, paisagens... A ilha ficou lá, plasmada, gravada no para sempre das fitas... A saudade também.

Pela partilha, D. Maria da Graça, muito obrigada!

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

HISTÓRIAS DE VIDA (PARTE 2)


Voltamos à história de Augusto e ao seu orgulho de ter nascido na babugem do mar.

 

No Campo Almirante Reis, havia um Parque Infantil, onde andei com muitos garotos da minha rua. As  freiras davam-nos comida e ensinamento. Lembro-me de uma que era linda!

Depois, fui para escola primária de Santa Maria, que era por cima do Alexandre, do Clube Marítimo. Depois, frequentávamos os Escuteiros, ao lado da Igreja do Socorro. O Grupo 88 foi uma escola de vida. Fomos os primeiros garotos do Calhau que se juntaram aos meninos de fora da nossa freguesia. Nunca vi distinções dentro do nosso grupo. Isto ajudou muito na minha maneira de ser: me deu hombridade, honestidade, lealdade e respeito para com os outros.
Igreja do Socorro

Tenho muito orgulho de ter nascido nesta freguesia, por mim tão amada e nunca esquecida.         

 

Melbourne 04 de Dezembro de 2013

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Newsletter nº 13 - Um ano de Memórias

Por entre memórias, percorremos o tempo, à procura de outras histórias para a história da ilha. Durante um ano, redondo, fomos partilhando informações, deixando recados do passado, trazendo, ao presente, retalhos de vidas, de situações, de medos e de coragens, de fugas e de sucessos. 

Histórias ... de vida


De Augusto, do lado de lá do mundo, chegou-nos este texto:
 
Melbourne, 04 de dezembro de 2013

Nasci na zona do Calhau, como se dizia nos anos 40. Ali, viviam pescadores e bomboteiros, lado a lado com gente de “sangue azul” – os Ferras, o Coronel Pereira, os Rodrigues da casa alta, os Abreus...

Augusto (o rapaz mais velho)  e a família- Forte de São Tiago
Desde muito pequeno que, para mim, as fronteiras do Calhau eram a Igreja do Socorro e a ponte do Mercado. Daí para a frente, moravam os meninos ricos e nobres da cidade do Funchal. Eu e meus pais morávamos no Beco do Socorro, mesmo por cima do mar da Barreirinha, onde eu, todos os dias depois da escola, ia correndo em shortes de banho, para os vizinhos não me verem.

Ao lado da nossa casa, viviam o Joãozinho Sem Maldade e a Luisinha, o Gordaça e a Menina Nazaré, os Serveteiros, a Mariazinha da Braza e as suas quatro filhas lindas, uma das quais, a Cristina, foi a minha primeira paixão.

E havia os amigos – os Japoneses, os filhos do Cambado, os Canexas, entre outros que me acompanhavam nos banhos de mar e na Bilhardeira, um jogo que, hoje, me faz lembrar o Cricket inglês

(continua)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O "DESENHO" DA GUERRA



Ontem, entrevistámos  José Faustino Diogo – professor aposentado, músico, homem de negócios. Por entre lugares da vida – o Faial, o Funchal, o Porto Santo e Moçambique, foi contando a sua história...

 Na parte da guerra do Ultramar, pegou numa folha branca, numa caneta e foi desenhando a geografia dos sentimentos, o esquema das operações, as lógicas  das vivências...
Fotografámos essa folha. É o desenho de um ano de vida de um rapaz que, como todos os outros,  partiu...  Estávamos em  1973.
Rabiscos feitos por José Diogo, durante a entrevista

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014


 
João Vieira
DATA: 10-01-2014                                  HORA:       10                     LOCAL: CEHA
 
 
Nome : João António Dias Vieira
 
Assuntos: História de vida / Guerra do Ultramar
 
GRAVAÇÃO : SIM __X___ / NÃO ______       
 
 DOCUMENTAÇÃO: SIM __X___ Qual? Album de fotografias – tropa
                                    NÃO________




À água
J. A. Vieira foi o nosso último entrevistado. Além das fotografias, trouxe-nos memórias de Moçambique, retratos de gente cujo nome não sabe , mas que lhe ensinou que há mundos diferentes do nosso, cheiros diferentes dos nossos, sonhos diferentes dos nossos.

No correr das folhas do álbum da guerra, foi contando o tempo...

Lembranças? Muitas. Saudades? Também.  

Troféus

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

RETRATOS ...

... de Moçambique
Pormenor da capa do álbum fotográfico

Generoso, o Sr. Vieira fala de si, da guerra que foi fazer a Moçambique, das imagens que não esquece e da alma nova que trouxe de lá.

Na primeira página daqueles retratos de 1971, um dos novos heróis pátrios. O próprio. Com o olhar preso na distância de um futuro que pode (ou não) começar ali, de uma uma vida que pode (ou não) acabar ali.


 1ª página

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O ultramar dentro de um álbum


Um álbum de fotografias costuma guardar o tempo. Cada página tem uma história que, por razão do momento, se quis guardar.

Recebemos este álbum da mão do Sr. Vieira. Contém Moçambique: as gentes, a guerra, a juventude, as saudades, os medos. Revela-nos uma memória – mais uma – do Ultramar, de homens e de armas, de cheiros,

- o cheiro do capim molhado fica para sempre em nós,

de mulheres, de camaradas,

- dependíamos uns dos outros,

da vida.

Ainda não nos tinha aparecido um álbum assim: específico para aqueles 25 meses – foi o tempo do Sr. Vieira – longe daqui, na tropa. Desvendaremos alguns destes retratos. Devagar. Porque é de vagar que a memória é feita.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Memórias do mar


Das memórias das gentes, há histórias menos felizes. Um dia – podia ser hoje – o mar encapelou-se. O céu desfez-se, líquido, sobre a cidade. Estamos na foz da ribeira de S. João. Há de ser inverno. A Gruta – que ainda era restaurante – mirava a força das ondas. À frente, a Pontinha segurava os barcos...

 
 
Fotografia cedida por Sílvio Fernandes  

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

outras memórias


Por entre as memórias da ilha, fica o tempo. Hoje, apenas para evocar lembranças que ainda moram no longe das nossas casas, duas fotografias quase etnográficas. São parte do presépio que os Bombeiros da Calheta construíram este ano. Outras memórias.

Dentro das nossas casas  guardam-se papéis. A história. A da sua família. A da Madeira. 
Venha ter connosco, sim?