segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Entramos




 Entramos. À nossa espera, Artur e Edmundo abriam, uma vez mais, uma porta que já não era sua...com eles, guiados pelo tempo e pela serenidade de quem cumpriu, percorremos os lugares ... as lembranças .. e fizemos MEMORIA do que afinal [ainda] não morreu..


 




quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Entramos?



- Está exatamente como deixamos...

Tudo permanece igual. Na parede, os patriarcas continuam atentos; sobre a mesa,  assuntos [que já não estão pendentes] aguardam um novo olhar.

O relógio parou. O telefone está calado.
Devagar,  Artur e Edmundo Barros percorrem um lugar onde guardaram grande parte da sua vida... E nós. com eles.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Atrás de uma porta fechada...


Adicionar legenda
“A firma em questão é resultado do empenho pessoal do Dr. Pedro José Lomelino (1864-1930). (...)Decidiu desfazer-se da adega, entregando-a ao sobrinho, Artur Barros e Sousa, regressado do Brasil, que (...) deu sociedade a Edmundo Menezes Olim. A empresa é actualmente administrada pelos netos, Artur (…) e Edmundo (…).”

Vieira, Alberto, 2003, A Vinha e o Vinho na História da Madeira, Séculos XV a XX, CEHA, Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Funchal, p. 455.

Já não é. A porta 109-111 da Rua dos Ferreiros está fechada. Lá dentro, tudo se mantém, igual, guardando a história de uma casa que se confunde com a história de uma família. Lá dentro, o mistério...

 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Casas...

Na Rua dos Ferreiros, que foi outrora, Rua do Comércio, a arquitetura marca o tempo. As casas são  memórias de vidas e de negócios. Guardam a alma da cidade, atrás dos ferros das varandas, atrás dos olhos das janelas...
Perdemos o hábito de pousar o nosso olhar nessas memórias que ainda vivem no seio da cidade. Esta que a Cláudia Faria registou, enquanto esperava por outras, mais próximas de nós... e que para fevereiro desvendaremos...
Ver-se-ia o mar daquela torre?

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

EM ESPERA



Algures, na cidade, numa mansarda que o tempo esqueceu, moram histórias escondidas…

Naquele tempo, o bordado era o outro lado da vida, aquele que permitia (sobre)viver à luta de cada dia, na conquista do pão que a terra (nem sempre) dá.

Hoje, nesta casa de bordados que já não o é, estão memórias: são objetos, restos de linho, selos espalhados pelo chão, luzes azuis de anil, cheiros de infância…

É o tempo em modo de espera.  Cristalizado. Bem no centro do Funchal.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

uma pequena descoberta ....


 
O número cinco da revista ORBIT de 1963 apresenta na capa uma florista da Madeira ... e Albert R. Perkins, repórter americano em visita à ilha das flores, na companhia da sua mulher, Jane, dedica quatro páginas à nossa ilha ... à passagem de ano, ao fogo de artificio, às piscinas do Lido, ao Mercados dos Lavradores e, por fim, à construção da pista do aeroporto... que nesse ano ... arrancava finalmente... aumentando as expetativas quanto ao número de visitantes.....
 

domingo, 18 de janeiro de 2015

Newsletter 24. Rebelo Quintal: Um Homem. A História

Ao iniciar 2015, o Projeto Memória das Gentes que Fazem a História inaugura uma nova série de Newsletters dedicadas à História da Madeira, a partir do olhar de homens e de mulheres que, de algum modo, contribuíram para construir aquilo que é, hoje, a História da Região Autónoma da Madeira.

Faz-se memória. Dos acontecimentos. Das pessoas. Dos ditos e dos não-ditos.
Na Biblioteca Pública Regional, uma exposição deu a conhecer a doação da Biblioteca Dr. Rebelo Quintal. Foi esse o pretexto para esta Newsletter. O que aconteceu na Madeira, ao longo do tempo que durou a vida de António Manuel Rebelo Pereira Rodrigues Quintal? Que acontecimentos marcaram a terra onde nasceu, viveu e morreu, desde o início da década de 30 do século XX e o início do século XXI (2013).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

... um azul de anil

 Janeiro tem manhãs de céu azul ... cristalino ... e o sol, mesmo mais alto, aquece a cidade ... e quem se dispõe a observar a vida que corre à sua volta, tropeça, quiçá, num qualquer tesouro escondido...numa história por desvendar... num sonho interrompido...

 
 
 
 
e, assim, como que por magia, encontramos .... um outro azul [anil]  que nos transportou, de imediato, a outros tempos ...  às linhas, ao linho branco, às tardes mornas de trabalho, durante as quais a minha avó insistia em me ensinar a pegar na agulha e a fazer garanitos....

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um postal... de ontem

Há gavetas que guardam o tempo. Mesmo sem memória, porque não se conhece as pessoas, porque não se conhece o sentido, porque ninguém sabe  o significado deste postal que a Cláudia encontrou por entre retratos velhos, de gente que já só mora dentro da família.  Sabe-se apenas que Maria de Nóbrega recebeu este postal da irmã, Elvira de Nóbrega, ausente na Austrália. Mais nada.

Postal do espólio de Cláudia Faria

De repente, uma história. Que segredos contarão estes jovens? De que falam? O que pretexta este chá? e o romantismo juvenil da mesa posta? O que contará este postal? E a porta aberta para o futuro?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

agora e no passado.....

Hoje recuamos ao século XIX ... a meados do século mais concretamente... a um tempo em que a cidade do Funchal, cosmopolita e vibrante, preenchia o seu dia-a dia com a chegada e a partida de estrangeiros ... maioritariamente ingleses... e relembramos um caso polémico... de perseguição religiosa..

 
Robert Kalley (1809- 1888) médico escocês chegou à ilha em 1838 e cedo se tornou popular, não apenas devido às consultas grátis que dava mas também porque acolhia em sua casa, ao Vale Formoso, todos os que queriam aprender a ler a escrever. Fundou assim "escolas de primeiras letras’ em diversas partes da Ilha, onde a alfabetização se baseava no estudo da Cartilha e na versão vernácula da Bíblia.
 
Kalley e todos os que frequentavam a sua casa e as suas aulas foram perseguidos, os seus bens vandalizados e foram inclusivamente alvo de processo da Câmara Eclesiástica que os acusou de heresia.


 
 
 
 
O ponto mais alto da perseguição  registou-se no dia 9 de agosto de 1846, quando uma enorme multidão de populares furiosos cercou e invadiu a casa do médico. Kalley conseguiu escapar, refugiando-se na casa do Cônsul britânico, que o aconselhou a sair imediatamente da Ilha. Disfarçado de mulher e conduzido numa rede, Kalley embarcou num navio inglês que se encontrava no Funchal rumo à América...


 

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

De regresso... em Dia de Reis

De volta. À  procura de mais memórias das Gentes que fazem a História. Em véspera de Reis...
Apenas para recordar.


Das Festas, Romarias e Devoções da Madeira, de Manuel da Gama, p. 362:


Eu venho cantar os Reis

À porta do meu vizinho.

Eu venho cá perguntar

Se a garrafa está vazia.



 REFRÃO

 
E vós bem sabíeis

E vós bem sabeis

Que por estes dias

Se cantava os Reis.

 

Abri-nos a porta.

Afastai os bancos.

Que aqui vem uns Reis

De cabelos brancos.

 

Eu venho de lá tão longe

Cansadinho do caminho.

Ó vizinho abra-me a porta,

Dê-me um copinho de vinho.

 

Eu venho de lá tão longe

Venho sempre à beira-mar

Ó vizinho abra-me a porta

Se tem vinho p'ra tomar.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Newsletter 23. Quase na Festa. Espiritualidade(s)

Às portas do Natal, logo que dezembro se abre, na Ilha, a Festa acende-se. Os autores madeirenses permitem-nos descobrir o que se esconde por dentro das casas, nas igrejas, nos caminhos. Estará aqui, talvez, aquele que nos parece ser o ponto de interceção daquilo que nos parece revelar a verdadeira espiritualidade da ilha. Nesses dias, interrompe-se o rempo comum. Nesses dias, o corpo e o espírito estão conciliados,  em louvor do Menino Jesus. E se pode comer e beber, sem medo do mal que a comida e a bebida nos podem fazer.
Nas festas, faz-se memória, reencontra-se o tempo, a primeira aparição do tempo sagrado, a eternidade que se manifesta na linguagem dos ritos.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

.... estamos quase na FESTA!!!


A festa vem sempre embrulhada de magia... e todos os meninos e meninas (para todo o sempre) enfeitam, com carinho e com um brilho cintilante no olhos, a árvore de Natal ... sim, a mais bonita de todas (a nossa) ... aquela que enche a sala de estar durante todo o mês de dezembro ... aquela cujas luzes parecem pequenas estrelas enviadas pelo menino Jesus... aquela junto da qual o Pai Natal vai deixar a prenda... aquela prenda.... só pode ser aquela!!! 
-  e ele nunca falha, pois não?



(foto gentilmente cedida por Alda Borges)
 
 
 
 
Partilhem connosco as vossas recordações de Natal!!!
Ajudem-nos a trazer à MEMÓRIA, o que já fomos e o que (ainda) somos!!!
 
Ficamos à espera dos vossos retratos!!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

1º Dezembro

1 de dezembro...

Dantes, era feriado. As paredes da cidade amanheciam pintadas.

Os estudantes do  Liceu tinham passado a noite a acordar a noite.
Entre  muitas memórias, o Sr. Elmano Gomes

contou-nos de um 1º de dezembro passado em cima de uma furgoneta com outros colegas, a cantar e a tocar... Fora a noite inteira...
Já era de manhã... De repente, o pai... [a caminho do trabalho, talvez...]
Bastou um olhar... O rapaz  sabia muito bem que as contas seriam ajustadas mais tarde...

Fotografias cedidas pelo Sr. Elmano Gomes 

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Newsletter 22 - Mobilidades e Insularidades


A Madeira foi sempre um lugar de partidas e chegadas: era um oásis no meio do mar – tinha uma baía acolhedora, bom clima, terra fértil. Foi muito fácil para os primeiros navegadores e aventureiros fazerem da ilha a sua morada.
Depois foi cais de partidas, também, sobretudo a partir do século XIX, com as crises agrícolas, com a doença da vinha. Foi então que a ilha se espalhou pelo mundo e o madeirense foi descobrir outros lugares, foi divulgar novas culturas, foi, simplesmente, trabalhar…

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Paisagens...

 Talvez por este tempo de outono, em que as Babosas rasgam as rochas, o mar despenteia o calhau... sereno.
A cidade começa a subir a montanha, ponteando-a de branco... Ouvimos o silêncio deste jardim dum qualquer hotel ... o Reid's, talvez...  e deixamo-nos ficar...




Postal ilustrado do Funchal [doação de Teresina Teixeira]


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Por falar em impostos...

Estávamos no princípio do século XX. O tempo era de dificuldades...

Tal como hoje, o dinheiro...



Tal como hoje, os impostos...

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A ilha... lugar de partidas...


Adeus varanda do cais
Onde o meu bem embarcou
Foram os olhos mais lindos
Que as ondas do mar levou

Dizes que vais embora
Amor do meu coração
Se tu vais e por teu gosto
Por minha vontade não

S’eu embarcar p’ra fora
Da barra te hei-de acenar
Não ponhas os olhos noutra,
Que eu vou mas p’ra voltar

Eu subi aos altos montes
Para te ver embarcar,
Meus olhos são duas fontes
Deitam ribeiras ao mar


                        (tradição popular da Madeira)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Golden Gate

Uma gaveta. Um álbum velho. Uma coleção de estampas antigas. A saudade de um hotel, de um café, do encontro de mundos...
A História da cidade passa por ali. Ainda é possível ouvir o tempo dentro das portas fechadas...

Apenas para não deixar morrer a memória...
Apenas pela saudade...


Estampa distribuída pela Empresa Madeirense de Tabacos 

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O cais....

Em dias de imagem nova da cara da cidade, lembramos outras, do tempo em que o cais se desenhava como único braço no mar... em que o calhau se enchia de canoas, em que a Avenida  se desenhava no chão da rocha, estreita, como uma varanda sobre as águas...
Cais do Funchal - Acervo de Sílvio Fernandes
Avenida do Mar : acervo de Sílvio Fernandes