“A cana-de-açúcar poderá, então, ser considerada, com propriedade, a cultura agrícola mais importante da História da Humanidade, pois provocou o maior fenómeno, em termos de mobilidade humana, económica, comercial e ecológica. De todas as plantas domesticadas pelo Homem, é aquela que acarreta maiores exigências. Quase que escraviza o homem, esgota o solo, devora a floresta e dessedenta os cursos de água. A exploração intensiva, a partir do século XV, gerou grandes exigências em termos de mão-de-obra, sendo responsável pelo maior fenómeno migratório à escala mundial que teve por palco o Atlântico: a escravatura de milhões de africanos”
(VIEIRA, Alberto, Canaviais, Açúcar e Aguardente na Madeira, 2004, p. 89).
segunda-feira, 6 de abril de 2015
terça-feira, 31 de março de 2015
Do outro lado da beleza
| Abrir o trabalho... |
Em nome de todas, a D. Rita e a D. Encarnação ainda repetem os gestos que fazem do Bordado o que ele [ainda] é:
![]() |
| limpar... |
| Engomar... |
| A arte |
quarta-feira, 25 de março de 2015
HERBERTO HELDER de Oliveira
A morte está agora diante de mim
como o regresso de um homem
que um dia partiu para além-mar.
(HELDER, 1996:213)
De procuras. De uma longa procura do coração da ilha. De conquistas. De uma longa conquista do mundo que mora para além das paredes basálticas que lhe serviram de berço. De universo. De uma constante busca do universo que se guarda dentro do poema: ligando a noite ao dia, o oculto ao revelado, o pressentimento ao acontecimento, / - tudo no mundo, na história. / A poesia propõe a história no mundo (HELDER, 1977:15).
Nascido na Madeira, em 1930, cedo se afastou da ilha e foi à procura de vestígios de uma arquitetura oculta do universo. Procurou(-se) certamente pelos mundos que o mundo lhe abriu. e encontrou-se Poeta, tantas vezes possuído pela força animista da linguagem, porque as regras de organização do poema são as mesmas da natureza (HELDER, 1977:9) e essa ele conhecia bem.
A escrita tornou-se um exercício de montagem, de criação da ordem, do significado, da instauração de uma unidade cósmica, de si, talvez. O centro: o poema revitaliza a vida ( HELDER, 1977:10).
Então, sim, a epifania. Ou o apocalipse: Vou morrer /O ouro está perto. (HELDER, 1977:27).
Morreu o homem. Não o poeta. Talvez tenha encontrado o ouro. Talvez o ouro o tenha encontrado. Talvez tenha perdoado. e regressado.
A morte está agora diante de mim
como o instante em que o céu se torne puro,
como o desejo de um homem de rever a pátria
depois de longos, longos anos de cativeiro.
(HELDER, 1996:213)
HELDER, Herberto, Cobra & Etc, Lisboa, 1977
HELDER, Herberto, Poesia Toda, Lisboa, 1996
segunda-feira, 23 de março de 2015
Uma homenagem
Bordadeiras
Sentam-se á porta
mal desponta o dia,
- em ao lado o cestinho de costura-
Cercadas de maciços de verdura
Aonde canta
alegre cotovia.
E n’esta doce paz, n'esta harmonia,
Beijadas pela aragem suave e pura,
N’uma cambraia da maior alvura,
-Tanta que a propria neve a invejaria ;-
Bordam um enxoval
para noivado ;
Mas que lindo que elle é! que bem bordado!
Nunca se viu uma belleza assim;
Tão fresco ! todo a flôr de laranjeira!
E suspiram uma e outra bordadeira :
-Ah! se tudo
isto fôsse para mim !
RODRIGUES, António Feliciano (Castilho), Sonetos, Lisboa , 1916, p. 51.
terça-feira, 17 de março de 2015
Newsletter 26: Bordados da Madeira [uma história de vida(s)]
Há lugares onde o tempo se demora. Há lugares onde a História se borda, porque a História da Madeira é [também] uma História de se bordar. Há lugares assim: feitos de tesouros embrulhados em papel de seda, feitos de histórias de gente sem nome, feitos de viagens. Há lugares que ajudam a construir outras histórias, possibilitando mais um dinheirinho para ajudar a subsistência, abrilhantando festas em outros lugares do mundo, permitindo levar a Ilha em viagem… Este é um lugar desses. Fica na Rua das Mercês, 31.
E tem um rosto: Joaquim Pedro Drumond de Sá e Sousa.
Data de nascimento: 16 de agosto de 1937
Profissão: Fabricado de Bordados da Madeira, melhor dizendo: “Manufactures and Exporters of Madeira hand made Embroideries”.
segunda-feira, 16 de março de 2015
A próxima história...
O protagonista
Filho de Pedro Damião de Sousa e de Maria Drumond de Sá,
Joaquim Sá e Sousa vive (d)os bordados há 62 anos...
Di-lo, entre gargalhadas, como se o tempo não lhe doesse e a
vida continuasse a ser como era: cheia. De trabalho. De viagens. De amigos. De negócios feitos...
- O meu pai tinha uma fábrica de
bordados, que ficava na Rua Conde Carvalhal, no Chão da Loba. Apenas ele e um outro irmão (durante algum tempo, apenas) se deixaram enredar
nas teias dos pontos e das linhas, dos linhos e dos algodões…
- Fui colega do Pinto da Costa,
o próprio. Tudo o que ele sabe, foi eu que lhe ensinei (risos). | Joaquim Sá e Sousa (foto de Cláudia Faria) |
quinta-feira, 12 de março de 2015
É ESTE O LUGAR...
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| Foto Cláudia Faria |
Em caixas de cartão, o trabalho [ainda] espera o seu lugar
definitivo… Um dia destes, vamos desvendar o lugar… este lugar
segunda-feira, 9 de março de 2015
onde andarão?
foto Cláudia Faria
o pó cobria a o armário, as prateleiras ... e a caixa de cartão ... assim que a abrimos ... ecoou naquela torre, abandonada, vozes de outros tempos ... murmúrios de mulheres que, incansavelmente, dia após dias, puxavam a linha ... diligentemente, aperfeiçoando os garanitos, as cavacas, as viúvas e as folhas...
... este tempo [antigo] cansou-se de nós ... por onde andam as bordadeiras?
quinta-feira, 5 de março de 2015
O princípio
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| Foto de Cláudia Faria |
Começa aqui. Uma porta aberta. Uma escadaria velha. Uma parede descascada. O silêncio...
Começa aqui a nova história de vida que havemos de contar...
segunda-feira, 2 de março de 2015
À espera do fim
Já foi uma casa de bordados. Já não é.
Na torre de uma casa velha da cidade, com vista para os telhados de uma rua [ainda] movimentada, jazem os restos da vida de muita gente ligada à indústria...
Os sacos, rotos de ratos e de velhice, esperam... o fim, talvez...
Será este o futuro do Bordado Madeira?
Na torre de uma casa velha da cidade, com vista para os telhados de uma rua [ainda] movimentada, jazem os restos da vida de muita gente ligada à indústria...
Os sacos, rotos de ratos e de velhice, esperam... o fim, talvez...
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| Foto de Cláudia Faria |
Será este o futuro do Bordado Madeira?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
um mistério ...
Eduardo Santos faleceu. Estava hospedado num hotel do Funchal… a 17 de outubro de 1922, o
Tribunal anuncia publicamente, e tal como previsto na lei, o processo de
arrecadação pelos herdeiros … incertos …
... não foi possível identificar estas pessoas...
... quem serão?
... o que faziam estas fotos na mão de Eduardo Santos?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
como recusar?
..e de repente... a máquina estava ali.. em cima de uma pequena secretária... a folha de papel ali colocada há largos anos ... alinhada... como que a convidar à escrita...ao desabafo... à confissão...
( prometemos voltar)
como se pode recusar um convite de uma página em branco?
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015
Newsletter 25: ARTUR DE BARROS E SOUSA, LDA. (entre a vida e o vinho: dois irmãos – Artur e Edmundo)
Porta fechada. À porta, com o olhar à espera, Artur Barros e Sousa de Olim aguarda Edmundo Barros e Sousa de Olim, seu irmão e companheiro de trabalho.
Da porta ao lado, aberta e movimentada, na casa Pereira d’Oliveira, Vinhos, uma saudação, um aperto de mão e a chave. Será ela a abrir o passado de um lugar cheio de história, de um lugar que, ao longo do tempo, recebeu o mundo e levou a ilha, engarrafada, em estado líquido, para os quatro cantos da terra.
Da porta ao lado, aberta e movimentada, na casa Pereira d’Oliveira, Vinhos, uma saudação, um aperto de mão e a chave. Será ela a abrir o passado de um lugar cheio de história, de um lugar que, ao longo do tempo, recebeu o mundo e levou a ilha, engarrafada, em estado líquido, para os quatro cantos da terra.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
ERA UMA VEZ...
| Dr. Pedro Lomelino |
Foi diretor e professor da Escola Distrital de Habilitação ao
Magistério Primário, depois, Escola Primária Superior do Funchal. Foi, ainda,
diretor do Banco da Madeira e da companhia de Seguros Aliança Madeirense e
presidente da Assembleia Geral da Associação de Agricultura.
Exerceu vários cargos públicos, entre eles, o de governador
substituto do distrito (por decreto de 22 de outubro de 1904), presidente da
Comissão de Viticultura da Região da Madeira e Vogal da Junta Geral, como
procurador do concelho do Porto Santo.
O pai tinha muitos terrenos de vinha e, para guardar a sua
produção de vinhos do Porto Santo, adquiriu um prédio sito à Rua do Comércio,
hoje, Rua dos Ferreiros...
| Quadro de Edmundo Barros e Sousa de Olim
|
Vinha ali ao fim de semana, tomava um copo com amigos,
fechava porta e ia-se embora. No ano seguinte, entrava mais vinho e foi
entrando sempre mais vinhos, todos os anos. .. Ora, um dia...
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
Entramos?
- Está exatamente como deixamos...
Tudo permanece igual. Na parede, os patriarcas continuam atentos; sobre a mesa, assuntos [que já não estão pendentes] aguardam um novo olhar.
O relógio parou. O telefone está calado.
Devagar, Artur e Edmundo Barros percorrem um lugar onde guardaram grande parte da sua vida... E nós. com eles.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
Atrás de uma porta fechada...
| Adicionar legenda |
“A firma em questão é
resultado do empenho pessoal do Dr. Pedro José Lomelino (1864-1930). (...)Decidiu desfazer-se da adega, entregando-a ao sobrinho, Artur Barros e Sousa,
regressado do Brasil, que (...) deu sociedade a Edmundo Menezes Olim. A empresa
é actualmente administrada pelos netos, Artur (…) e Edmundo (…).”
Vieira, Alberto, 2003, A Vinha e o Vinho na História da Madeira,
Séculos XV a XX, CEHA, Secretaria Regional do Turismo e Cultura, Funchal,
p. 455.
Já não é. A porta 109-111 da Rua dos Ferreiros está fechada.
Lá dentro, tudo se mantém, igual, guardando a história de uma casa que se
confunde com a história de uma família. Lá dentro, o mistério...
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Casas...
Na Rua dos Ferreiros, que foi outrora, Rua do Comércio, a arquitetura marca o tempo. As casas são memórias de vidas e de negócios. Guardam a alma da cidade, atrás dos ferros das varandas, atrás dos olhos das janelas...
Perdemos o hábito de pousar o nosso olhar nessas memórias que ainda vivem no seio da cidade. Esta que a Cláudia Faria registou, enquanto esperava por outras, mais próximas de nós... e que para fevereiro desvendaremos...
Ver-se-ia o mar daquela torre?
Perdemos o hábito de pousar o nosso olhar nessas memórias que ainda vivem no seio da cidade. Esta que a Cláudia Faria registou, enquanto esperava por outras, mais próximas de nós... e que para fevereiro desvendaremos...
Ver-se-ia o mar daquela torre?
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
EM ESPERA
Algures, na cidade, numa mansarda que o tempo esqueceu,
moram histórias escondidas…

Naquele tempo, o bordado era o outro lado da vida, aquele
que permitia (sobre)viver à luta de cada dia, na conquista do pão que a terra
(nem sempre) dá.
Hoje, nesta casa de bordados que já não o é, estão memórias:
são objetos, restos de linho, selos espalhados pelo chão, luzes azuis de anil,
cheiros de infância…
É o tempo em modo de espera. Cristalizado. Bem no centro do Funchal.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
uma pequena descoberta ....
O número cinco da revista ORBIT de 1963 apresenta na capa uma florista da Madeira ... e Albert R. Perkins, repórter americano em visita à ilha das flores, na companhia da sua mulher, Jane, dedica quatro páginas à nossa ilha ... à passagem de ano, ao fogo de artificio, às piscinas do Lido, ao Mercados dos Lavradores e, por fim, à construção da pista do aeroporto... que nesse ano ... arrancava finalmente... aumentando as expetativas quanto ao número de visitantes.....
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