Dia do voto. Dia do Trabalhador. Feriado nacional. Dia de Maio. Dia de Saltar a laje e ir ao Palheiro Ferreiro. Dia de colares de flores amarelinhas pendurados ao pescoço. Dia de memórias de namoros e de gargalhadas. Dia de procissão a São Tiago Menor.
A atitude do guarda-mor da saúde – que abdica do seu cargo e, ajoelhado ante a imagem do Santo, suplica «Senhor, até aqui, guardei esta cidade como pude. Não posso mais. Aqui tendes a vara do mando. Sede vós o guarda da Saúde» é repetido, ainda hoje, em cada primeiro de maio. Mesmo sem peste. Apenas porque é preciso honrar as promessas. E festejar a Primavera, na medida em que cada peregrino enverga – ainda hoje também - um colar de maios, flores do campo que pintam as serras e as estradas da ilha de bocadinhos de sol.
sexta-feira, 1 de maio de 2015
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Amanhã... na Newsletter
1º de maio
| Colares de maios |
Amanhã
Procissão do Voto no Funchal - às 09h30 entre a capela do Corpo Santo e a Igreja de Santa Maria Maior (Socorro).
Amanhã
A tradição: os maios e as maias; o saltar a laje; a serra e a Quinta do Palheiro Ferreiro...
A tradição: os maios e as maias; o saltar a laje; a serra e a Quinta do Palheiro Ferreiro...
| Os maios... em Machico |
Amanhã O dia do trabalhador - memórias de outros tempos...
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| De Madeira quase esquecida... |
segunda-feira, 27 de abril de 2015
O FUTURO DO PASSADO...
quinta-feira, 23 de abril de 2015
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Ontem...
Estava a cair a tarde. As portas do engenho estavam abertas. Na rua, com ma ordem aprendida ao longo do tempo, alguns camiões aguardavam a vez...
Assim:
Assim:
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Memórias
Dantes, era assim:
Não nos lembramos disto, mas, na nossa memória de infância, há camionetas paradas à espera pela Ribeira de Santa Luzia acima, à espera de vez para entrar no engenho. Já não há. O Engenho já não mora ali, no Jardim de Santa Luzia. Já não tentamos puxar as canas soltas para as chupar no segredo do quintal...
Hoje, no Funchal, só há carros parados no Ribeiro Seco, no calado da noite, à espera de descarregar a cana...
Este é o tempo...
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| Transporte da cana [arquivo AV] |
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| À espera... [arquivo AV] |
Não nos lembramos disto, mas, na nossa memória de infância, há camionetas paradas à espera pela Ribeira de Santa Luzia acima, à espera de vez para entrar no engenho. Já não há. O Engenho já não mora ali, no Jardim de Santa Luzia. Já não tentamos puxar as canas soltas para as chupar no segredo do quintal...
Hoje, no Funchal, só há carros parados no Ribeiro Seco, no calado da noite, à espera de descarregar a cana...
Este é o tempo...
segunda-feira, 13 de abril de 2015
Em laboração ...
Já começou a laboração. Este é um ano bom, segundo notícia do Diário(http://www.dnoticias.pt/actualidade/madeira/510228-mais-de-8-mil-toneladas-de-cana-de-acucar-usadas-na-madeira-para-aguarden?utm_source=auto_rss&utm_medium=facebook ).
São 8.250 toneladas de cana que, nos engenhos, serão transformados em aguardente e em mel...
São 8.250 toneladas de cana que, nos engenhos, serão transformados em aguardente e em mel...
quinta-feira, 9 de abril de 2015
O mel de cana ... (algumas dicas...)
segunda-feira, 6 de abril de 2015
Newsletter 27: Engenho(s) [o do Mel, o das Memórias, o da Vida]
“A cana-de-açúcar poderá, então, ser considerada, com propriedade, a cultura agrícola mais importante da História da Humanidade, pois provocou o maior fenómeno, em termos de mobilidade humana, económica, comercial e ecológica. De todas as plantas domesticadas pelo Homem, é aquela que acarreta maiores exigências. Quase que escraviza o homem, esgota o solo, devora a floresta e dessedenta os cursos de água. A exploração intensiva, a partir do século XV, gerou grandes exigências em termos de mão-de-obra, sendo responsável pelo maior fenómeno migratório à escala mundial que teve por palco o Atlântico: a escravatura de milhões de africanos”
(VIEIRA, Alberto, Canaviais, Açúcar e Aguardente na Madeira, 2004, p. 89).
(VIEIRA, Alberto, Canaviais, Açúcar e Aguardente na Madeira, 2004, p. 89).
terça-feira, 31 de março de 2015
Do outro lado da beleza
| Abrir o trabalho... |
Em nome de todas, a D. Rita e a D. Encarnação ainda repetem os gestos que fazem do Bordado o que ele [ainda] é:
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| limpar... |
| Engomar... |
| A arte |
quarta-feira, 25 de março de 2015
HERBERTO HELDER de Oliveira
A morte está agora diante de mim
como o regresso de um homem
que um dia partiu para além-mar.
(HELDER, 1996:213)
De procuras. De uma longa procura do coração da ilha. De conquistas. De uma longa conquista do mundo que mora para além das paredes basálticas que lhe serviram de berço. De universo. De uma constante busca do universo que se guarda dentro do poema: ligando a noite ao dia, o oculto ao revelado, o pressentimento ao acontecimento, / - tudo no mundo, na história. / A poesia propõe a história no mundo (HELDER, 1977:15).
Nascido na Madeira, em 1930, cedo se afastou da ilha e foi à procura de vestígios de uma arquitetura oculta do universo. Procurou(-se) certamente pelos mundos que o mundo lhe abriu. e encontrou-se Poeta, tantas vezes possuído pela força animista da linguagem, porque as regras de organização do poema são as mesmas da natureza (HELDER, 1977:9) e essa ele conhecia bem.
A escrita tornou-se um exercício de montagem, de criação da ordem, do significado, da instauração de uma unidade cósmica, de si, talvez. O centro: o poema revitaliza a vida ( HELDER, 1977:10).
Então, sim, a epifania. Ou o apocalipse: Vou morrer /O ouro está perto. (HELDER, 1977:27).
Morreu o homem. Não o poeta. Talvez tenha encontrado o ouro. Talvez o ouro o tenha encontrado. Talvez tenha perdoado. e regressado.
A morte está agora diante de mim
como o instante em que o céu se torne puro,
como o desejo de um homem de rever a pátria
depois de longos, longos anos de cativeiro.
(HELDER, 1996:213)
HELDER, Herberto, Cobra & Etc, Lisboa, 1977
HELDER, Herberto, Poesia Toda, Lisboa, 1996
segunda-feira, 23 de março de 2015
Uma homenagem
Bordadeiras
Sentam-se á porta
mal desponta o dia,
- em ao lado o cestinho de costura-
Cercadas de maciços de verdura
Aonde canta
alegre cotovia.
E n’esta doce paz, n'esta harmonia,
Beijadas pela aragem suave e pura,
N’uma cambraia da maior alvura,
-Tanta que a propria neve a invejaria ;-
Bordam um enxoval
para noivado ;
Mas que lindo que elle é! que bem bordado!
Nunca se viu uma belleza assim;
Tão fresco ! todo a flôr de laranjeira!
E suspiram uma e outra bordadeira :
-Ah! se tudo
isto fôsse para mim !
RODRIGUES, António Feliciano (Castilho), Sonetos, Lisboa , 1916, p. 51.
terça-feira, 17 de março de 2015
Newsletter 26: Bordados da Madeira [uma história de vida(s)]
Há lugares onde o tempo se demora. Há lugares onde a História se borda, porque a História da Madeira é [também] uma História de se bordar. Há lugares assim: feitos de tesouros embrulhados em papel de seda, feitos de histórias de gente sem nome, feitos de viagens. Há lugares que ajudam a construir outras histórias, possibilitando mais um dinheirinho para ajudar a subsistência, abrilhantando festas em outros lugares do mundo, permitindo levar a Ilha em viagem… Este é um lugar desses. Fica na Rua das Mercês, 31.
E tem um rosto: Joaquim Pedro Drumond de Sá e Sousa.
Data de nascimento: 16 de agosto de 1937
Profissão: Fabricado de Bordados da Madeira, melhor dizendo: “Manufactures and Exporters of Madeira hand made Embroideries”.
segunda-feira, 16 de março de 2015
A próxima história...
O protagonista
Filho de Pedro Damião de Sousa e de Maria Drumond de Sá,
Joaquim Sá e Sousa vive (d)os bordados há 62 anos...
Di-lo, entre gargalhadas, como se o tempo não lhe doesse e a
vida continuasse a ser como era: cheia. De trabalho. De viagens. De amigos. De negócios feitos...
- O meu pai tinha uma fábrica de
bordados, que ficava na Rua Conde Carvalhal, no Chão da Loba. Apenas ele e um outro irmão (durante algum tempo, apenas) se deixaram enredar
nas teias dos pontos e das linhas, dos linhos e dos algodões…
- Fui colega do Pinto da Costa,
o próprio. Tudo o que ele sabe, foi eu que lhe ensinei (risos). | Joaquim Sá e Sousa (foto de Cláudia Faria) |
quinta-feira, 12 de março de 2015
É ESTE O LUGAR...
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| Foto Cláudia Faria |
Em caixas de cartão, o trabalho [ainda] espera o seu lugar
definitivo… Um dia destes, vamos desvendar o lugar… este lugar
segunda-feira, 9 de março de 2015
onde andarão?
foto Cláudia Faria
o pó cobria a o armário, as prateleiras ... e a caixa de cartão ... assim que a abrimos ... ecoou naquela torre, abandonada, vozes de outros tempos ... murmúrios de mulheres que, incansavelmente, dia após dias, puxavam a linha ... diligentemente, aperfeiçoando os garanitos, as cavacas, as viúvas e as folhas...
... este tempo [antigo] cansou-se de nós ... por onde andam as bordadeiras?
quinta-feira, 5 de março de 2015
O princípio
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| Foto de Cláudia Faria |
Começa aqui. Uma porta aberta. Uma escadaria velha. Uma parede descascada. O silêncio...
Começa aqui a nova história de vida que havemos de contar...
segunda-feira, 2 de março de 2015
À espera do fim
Já foi uma casa de bordados. Já não é.
Na torre de uma casa velha da cidade, com vista para os telhados de uma rua [ainda] movimentada, jazem os restos da vida de muita gente ligada à indústria...
Os sacos, rotos de ratos e de velhice, esperam... o fim, talvez...
Será este o futuro do Bordado Madeira?
Na torre de uma casa velha da cidade, com vista para os telhados de uma rua [ainda] movimentada, jazem os restos da vida de muita gente ligada à indústria...
Os sacos, rotos de ratos e de velhice, esperam... o fim, talvez...
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| Foto de Cláudia Faria |
Será este o futuro do Bordado Madeira?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
um mistério ...
Eduardo Santos faleceu. Estava hospedado num hotel do Funchal… a 17 de outubro de 1922, o
Tribunal anuncia publicamente, e tal como previsto na lei, o processo de
arrecadação pelos herdeiros … incertos …
... não foi possível identificar estas pessoas...
... quem serão?
... o que faziam estas fotos na mão de Eduardo Santos?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
como recusar?
..e de repente... a máquina estava ali.. em cima de uma pequena secretária... a folha de papel ali colocada há largos anos ... alinhada... como que a convidar à escrita...ao desabafo... à confissão...
( prometemos voltar)
como se pode recusar um convite de uma página em branco?
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