segunda-feira, 28 de setembro de 2015

... o meu carocha ...



O Domingo era dia de descanso ... dia da família... dia de praia ... 
José Camacho pegava no seu carocha e aproveitava o bom tempo e o que aquela terra [Venezuela] tinha para oferecer ...

... levava sempre " a música" consigo ... e passava bons momentos, recorda com sorriso largo sem disfarçar as saudades  ...







quinta-feira, 24 de setembro de 2015

vamos espreitar?




uma data...um chão de calhau rolado... uma porta entreaberta ... uma casa.... uma família... uma história de vida .... uma vida cheia de histórias ... que memórias estarão aqui guardadas? 




(foto de Cláudia Faria) 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

... nem olhava para trás!!



Graça chegou à Venezuela com 14 anos ... e gostou! Voltou costas à Madeira e fez a sua vida em Puerto de la Cruz.

- vivia-se bem ... era um sitio bonito, o passeio enchia-se de gente ao Domingo ... as famílias iam para ali passear e havia muita animação e barracas com iguarias, não é como aqui, vamos ao Funchal num Domingo à tarde e a cidade está morta ... os madeirenses saem de casa para ver as montras... que disparate!!

A vida obrigou-a a regressar à ilha. Veio com os dois filhos. Mas todos os dias pensa na Venezuela ...

- voltava sim, e nem olhava para trás!!


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Newsletter 34 - CEHA 30 anos, A História


Ao fim de trinta anos, vemos a História da Madeira mais desenvolvida e divulgada. Hoje, é ponto assente que a Madeira marcou uma posição importante no discurso da História, seja na Europa, seja no espaço atlântico. Ninguém ignora o papel de modelo/referência da primeira experiência de povoamento do arquipélago madeirense. Conhece-se o protagonismo na Madeira nas História do Açúcar e do Vinho. Releva-se e afirma-se a importância da ilha no quadro da afirmação da escravatura no espaço Atlântico. Tornou-se evidente o protagonismo da Madeira na evolução da Ciência, a partir do século XVII.
De espaço quase esquecido, a Madeira ganhou, assim, afirmação e protagonismo no quadro do conhecimento e da Historiografia. Criámos uma nova consciência para o conhecimento e contribuímos para afirmar um discurso de diversidade para os insulares, com uma maior consciência dos seus valores e História.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

a minha mãe era a mulher do feiticeiro da Calheta ...


A minha mãe não largava o meu pai ... para onde ele fosse, lá estava ela, em todas as festas, em todas romagens... sempre ao lado do seu homem ... bem disposta e com uma paciência sem fim ... por vezes, o meu pai, que gostava do seu copinho, exagerava ... mas bastava um olhar da minha mãe e ele dizia:

- dê esse copinho a minha mulher que ela está com mais sede que eu!!



( foto retirada do facebook do feiticeiro da Calheta) 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O meu pai era o feiticeiro da Calheta



lá no alto da serra, as noites de inverno são mais escuras, mais frias e mais densas ... Maria Jesus lembra-se de não ver ninguém na rua porque todos se recolhiam do mau tempo ... lembra-se de ficar a bordar com a mãe à luz do candeeiro de petróleo ... enquanto o pai, o feiticeiro da Calheta, pegando na viola de arame, tocava e cantava ... por vezes, elas também cantavam com ele... e assim se passava o serão, bordando e cantando lá para os lados do Lombo do Brasil....




( foto retirada da página do facebook do feiticeiro da Calheta ) 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

outros domingos...


Algures no Brasil, no final dos anos setenta, a família Araújo descansa após uma semana de trabalho ... o Domingo era um dia especial ... reunia-se a família e os amigos ... e assim se matava as  saudades de casa e da ilha...








quarta-feira, 2 de setembro de 2015

uma leitura de fim de verão ....


Estamos de volta ... refrescamos a mente e o "corpo" do nosso blogue ...

 estamos prontos para ouvir as vossas histórias!!


... e porque ainda cheira a férias deixamos uma sugestão de leitura:

CARTAS NO INTERVALO DA GUERRA





(disponível no CEHA, 10 euros) 

domingo, 23 de agosto de 2015

Newsletter 33 - Napoleão na Madeira

NAPOLEÃO NA MADEIRA 
Memória de um dia de agosto

Há precisamente 200 anos, na manhã do dia 23 de agosto de 1815, fundeava, na baía do Funchal, uma esquadra britânica, sob o comando do contra-almirante George Cockburn: a nau almirante “Northumberland”, as fragatas “Havanna”, “Bucephalus” e “Ceylon” e ainda seis brigues de guerra.
Escreve o Major Reis Gomes que « Já na véspera, à noite, se sentia na cidade o hálito sêco e quente que, sob o nome de «léste», o Sahára frequentemente sopra sobre a Madeira. A aurora de 23 alumiara de tons rubros um mar tempestuoso, profundamente agitado pelo adusto vento do deserto» (GOMES, O Anel do Imperador, p. 30). O povo atribuía “na sua ingenuidade” toda aquela procela “que lhe secava a bôca e lhe queimava os campos” (p. 30, 31), à presença de Napoleão que vinha a bordo da nau principal, a caminho do exílio em Santa Helena.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

outros verões ...




Numa praia em Luanda, Luz e Zé passeiam e preparam a vida em comum...a guerra é apenas um intervalo no tempo do amor....

ouvimos esta história .... mais uma história de amor!!


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

a bordo do Arriaga...



Porque Agosto cheira a férias ... e a Porto Santo ... fica aqui um relato de tempos mais recuados ... de viagens por mar... a bordo do Arriaga...




... a minha primeira viagem....


Onze horas, eu e minha mãe chegamos ao cais da Vila Baleira e fomos ao encontro do meu Pai na altura tripulante de um cargueiro chamado Arriaga, comandado pelo então Arrais Paulino, homem calejado no mar, alto e robusto pendia uma das pálpebras de um dos olhos, que me fazia lembrar os tempos antigos dos piratas, tinha sofrido em tempos idos alguma maleita que lhe deixava o olho entre aberto quando olhava para nós.

Meu pai, aproximou-se e disse-nos “…vamos para bordo, que hoje sairemos mais cedo, as uvas, a cal e a água já estão a bordo…” assim o fizemos.

A bordo o meu pai esmerava-se em nos explicar como haveríamos de passar a viagem na câmara do barco (compartimento localizado no convés da embarcação de formato rectangular paralelo as bordas do barco e com uma altura útil que não permitia as pessoas adultas andar de pé) era ali que iríamos passar as quatro horas de viagem até a ilha da madeira....

Eu fiz a viagem a explorar o barco, ora na câmara ora perto do posto de comando que era na altura um leme comandado manualmente para bombordo e estibordo com um ferro em feitio de foice que lhe davam o nome de “cana de leme.


Trindade Melim

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Newsletter 32- O feiticeiro da Calheta

João Gomes de Sousa (1895-1974) 
O Feiticeiro da CALHETA 
O Feiticeiro da Calheta viveu alguns dos acontecimentos mais importantes que marcaram o século XX. Nasceu no final da centúria oitocentista (a 30 de novembro de 1895) e, ainda jovem, presenciou as mudanças políticas trazidas com a República. Já adulto, vivenciou, de forma direta, as mudanças trazidas com o governo da ditadura e o Estado Novo. Ainda esteve presente ao 25 de abril de 1974, mas a sua morte, a 8 de julho desse ano não lhe permitiu o convívio com a nova realidade política.
As suas quadras são publicadas em letra de forma entre 1946 e 1961, um período importante da afirmação do Estado Novo e, nomeadamente, do seu discurso popular. Mas sabemos que, pelo menos desde 1938, altura em que participou da Festa das Vindimas do Funchal, as suas qualidades de versejador já eram notadas publicamente, sendo apresentadas com música local.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Regressos [dos que partiram]


Como se fosse a primeira vez. Como se o tempo da lonjura fosse ainda maior do que, efetivamente, terá sido.  Como se o nunca mais se tivesse colado à pele do coração. Como se.

Regressam nas asas do verão, com as saudades arrumadas naquele canto do peito que não se consegue trancar. Mesmo que vivam mil anos, não esquecem o lugar onde mora a  dor do ter de ser, da partida para um qualquer lugar longe de casa, para um qualquer lugar longe dos seus.

Trazem os olhos rendidos à paisagem da terra e os braços prontos para abraçar quem ficou à espera do abraço.  Vêm com as conversas prontas e uma vontade imensa de estar. Apenas isso: de estar. Sem que o resto tenha qualquer importância. Porque o que importa é alimentar a reserva de afetos de que a distância vai precisar, ao longo de um ano inteiro, ao longo do tempo quase sem tempo que dura a ausência.

Regressam com uma mala de sonhos para contar. E de esperanças. Talvez não contem a verdade da vida - nem sempre a realidade das coisas e dos países de onde vêm merecem uma narrativa. Talvez não valha a pena ensombrar as férias com histórias de dificuldades e de inseguranças e. Talvez não valha a pena. 

Regressam com os olhos rasos de mar e as raízes do coração à flor da pele. Regressam porque é preciso regressar.

Desfilam, depois, a distância, orgulhosos da coragem de terem ido. Talvez ainda paguem uma rodada no arraial. Talvez ainda deixem escapar uma palavra desconhecida que comprove o seu saber feito de mundo. Talvez ainda tentem mostrar que, no longe que fica atrás do mar, há  coisas muito outras, muito diferentes, coisas.

Regressam, porém, pensando que vão partir outra vez. Porque o regresso do emigrante tem sempre pendente o bilhete de ida. Mas, enquanto andam por aqui, vão emendando a vida: basta o sorriso velho dos pais que ainda se sentam no terreiro, a ver a noite cair; basta a carícia azul do mar que continua a lavar a alma; basta o poema verde das serras a entrar, manso, pela janela adentro; basta o cheiro da cidade para inebriar os sentidos.

Os emigrantes regressam nas asas do verão. Vêm à procura do chão. Então, depois, com as raízes mais fortes, partirão para olhar para o céu com os olhos lavados. Vêm restaurar as asas. Então, depois, com as feridas tratadas, empreenderão voos mais altos, no lugar para onde, certamente, terão de voltar.

De Graça Alves, in Jornal da Madeira de 28/7/2015

quarta-feira, 22 de julho de 2015

O poeta emigrante

Quem sabe deste senhor?
 
Quem é este poeta emigrante?
Que memórias nos traz da ilha e do mundo para onde embarcou?
 
 
Recorte emprestado pelo Xarabanda
 

segunda-feira, 20 de julho de 2015

De viagens

Há muitos anos, Augusto António inaugurou o hidroavião que amarava na baía... Nesse dia de urgências, não sabia ainda que havia de cruzar o mundo, que havia de construir a sua vida no lado de lá do mar, no Brasil, primeiro, na Austrália, depois...

Doação de Augusto Sousa

Como Augusto, muitos partiram, alguns regressaram, outros ficaram no esquecimento da lonjura...
Procuramos as suas histórias. Queremos torná-los protagonistas da História da Madeira, 


sexta-feira, 17 de julho de 2015

Férias...

Fotografia de Jorge Baptista
Gostavam que tudo estivesse igual. Exatamente da forma como estava, quando disseram adeus, no dia em que se foram embora. Trazem a saudade suspensa à espera do abraço que talvez já nem cheguem a tempo de dar.
Precisam do cheiro da terra, da cor da terra, da comida da terra. Precisam que o verde das serras esteja exatamente da mesma tonalidade. Precisam que o azul do mar mantenha a transparência de antes.
Querem que os velhos continuem à espera, parados na cadeira de antes. Gostavam que o tempo estivesse parado.
A Ilha recebe-os de abraços abertos. Este é o tempo de matar as saudades.
NÃO QUER VIR TER CONNOSCO?
QUEREMOS FAZER DE SI UM PROTAGONISTA DA NOSSA HISTÓRIA. ESTAMOS A RECOLHER HISTÓRIAS DE VIDA DA EMIGRAÇÃO.



terça-feira, 14 de julho de 2015

De regressos ... de verão

Regressam nas asas do verão, com as saudades arrumadas naquele canto do peito que não conseguem trancar. Mesmo que vivam mil anos, não conseguem trancar o lugar da dor do ter de ser, da partida para um qualquer lugar longe de casa.
Foi assim com João. E com tantos outros que procuraram no mundo o que a ilha não lhes conseguia dar.
Doação de Teresa Gomes
 
HOJE -  TERTÚLIA SOBRE EMIGRAÇÃO E IMIGRAÇÃO, NA UNIVERSIDADE DA MADEIRA, ÀS 18.30 H.
 
E
SE TEM UMA HISTÓRIA DE EMIGRAÇÃO PARA CONTAR, PROCURE-NOS. QUEREMOS CONTÁ-LA.
 

sexta-feira, 10 de julho de 2015

ADULTOS ANTES DO TEMPO

Estávamos em 1963. Manuel saiu da ilha com 12 anos, rumo à África do Sul. Fugia ao medo da guerra colonial, procurava um lugar onde os sonhos se realizassem com mas facilidade. Deixava, no cais, o pai e a professora. Partia... como tantos outros rapazes... rumo ao futuro.
Voltava dois anos depois: homem.


 
Guardamos a história do Manuel. Queremos preservar a sua. Se, um dia, emigrou, venha ter connosco e deixe-nos contar a sua história...



Visita de Manuel à Madeira. Tem 14 anos. Um copo de vinho pela mão da mãe, sinal de que já não é um menino.

terça-feira, 7 de julho de 2015

Tertúlia 'Emigração e Imigração - as faces da mesma moeda'

“Emigração e Imigração - as faces da mesma moeda” é o tema da próxima tertúlia do Conselho de Cultura da Universidade da Madeira, que se realiza no dia 14 de julho, pelas 18h30, no Auditório da Reitoria, ao Colégio dos Jesuítas.                             

Dinamizada pelo Doutor Alberto Vieira, a tertúlia pretende levar os participantes a refletir sobre as vivências complexas que dominam o movimento das migrações humanas e sobre a postura de cada um de nós, sobre os protagonistas das chegadas e das partidas.             

Após a tertúlia segue-se um jantar-debate no Restaurante Café Ateneu. A participação na tertúlia é livre. O jantar-debate requer marcação, até ao dia 13 de julho, através do preenchimento do formulário disponível em http://tinyurl.com/inscricoesjantar-debate.

14 julho – 18h30 – Auditório da Reitoria (Colégio dos Jesuítas)

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Ainda Cartas no Intervalo da Guerra



A EXPLICAÇÃO DA GUERRA

 
 
 
 « em primeiro lugar, (...) vou dizer-te algumas coisas (...) cujas denominações são : "Emboscadas e patrulhas": a emboscada é quando, por exemplo, estamos no quartel e chega uma mensagem informando que o inimigo passou ou vai passar numa zona qualquer (...) Nesse caso sai um grupo ou dois, segundo o número de turras suspeitos e vamos esperar por eles num lugar onde se pensa que por lá passem e aí se passa dois, três, quatro ou mais dias, até ver se passam ou não passam. (...) Bem o exemplo mais claro da emboscada é o seguinte: fazemos de conta que eu vou para a tua casa, e, de surpresas, sou atacado pelo caminho, quando ia a passar estava um grupo por cima duma parede (...) É que quando se vai para uma emboscada, sabe-se que não é p'ra andar e vamos bem equipados. Podemos levar uma mante, um garrafão de água e, enfim, vamos preparados para passar ali 4 ou 5 dias (...)
 
 [CEHA- Arquivo Memórias: carta de António de 10-03-1971]
 
in CARTAS NO INTERVALO DA GUERRA
(À venda no CEHA)