sexta-feira, 6 de novembro de 2015

A Casa do Penedo






A porta está sempre aberta ... entrámos  .... o mirante tirou-nos a respiração ... deixámos-nos ficar ... assim... sem mais nada ... a ouvir  o que o tempo tem guardado ... a sentir o murmurar do basalto ... o muralhar do mar lá ao fundo .. a ravina envolta numa espécie de algodão doce ... as quedas de água rebeldes e o vento manso que desce serra abaixo ...

... e depois ... depois dêmos tempo ao tempo ... e ouvimos o que Beatriz Silva e Manuel Rodrigues têm para contar ... são eles os guardiões da Casa do Penedo...

... porque a casa é o nosso canto do mundo ...






quarta-feira, 4 de novembro de 2015

é tempo de tapar o vinho



Ontem fomos para o Norte .  O sol brilhava desembaraçado.As folhas da vinha já perderam a sua cor vinhática, fazendo lembrar que a vindima terminou já e que, em breve, será tempo de preparar de novo as parreiras. 
Na adega da Casa do Penedo, várias pipas alinhadas guardavam com candura o vinho tratado pelas mãos de quem sabe .... estamos na primeira lua minguante de novembro. É tempo de tapar o vinho. 






segunda-feira, 2 de novembro de 2015

ainda se lembram?


.....ontem foi dia de Pão-Por-Deus ... e de repente, as cascas das nozes transformaram-se em grilinhos... 









sexta-feira, 30 de outubro de 2015

POR FALAR EM INVEJIDADE...

Estamos dentro da cidade. As portas abrem-nos histórias de outras arquiteturas.
Espreitamos. Não resistimos a olhar para dentro das coisas.
No alto da escadaria ...




                                                                                     porque ...«que las hay, las hay...»

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Por causa da invejidade...

 
 É termo bem característico madeirense - a invejidade, significando a inveja mal reprimida, encapotada, que moe e ginga, repiza e muito gira, a lançar mão de todos os meios para se alastrar, procurando anular a sombra que a escurece e molesta, umida e fria, infiltrante, deprimindo o que é alheio, a roçar-se a esquina, para realização dos seus fins. É a inveja dinâmica, sem sentido, nem direcção, impando uma coragem embexigada pela vacina do medo.
                                                                                                                     A. A. Sarmento (1944)
... uma cruzinha de alecrim...


... e uma reza:

... eu te curo de olhado mal  invejado e emprezado, em o nome que o padre te poz  na pia,  com  o nome de Deus e da Virge-Maria e das tres pessoas  da Santissima  Trindade.  Se está mal invejada, no  seu comer, ou no seu  beber, no seu vestir, no seu calçar,  no  seu  ter, na  sua  boniteza, na sua formosura (...)

.. .na  sua gordura, no seu andar; quem invejou  com  mau mado não torne a invejar. Arrebenta-te, cão, vae-te p'ra  o inferno. Alecrim  verde,  que  nasce no  campo, tirae  este mal  e  este  quebranto.  Home  bom,  mulher irada, palhas aguadas, por onde este mal entrou por lá sáia.  Credo, tres vezes credo, arrebenta  cão nas profundas do inferno. (SARMENTO, 1912:114-115).

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

.... uma exposição a não perder!!!!



... e ontem o Projecto Memória das Gentes que Fazem História esteve na abertura da Exposição Documental e de Equipamento, integrada nas Jornadas do Tribunal Judicial da Comarca da Madeira.

Recomendamos!!! Venha ao Museu Casa da Luz e deixe-se recuar no tempo ... observe e aprecie peças e documentos guardados pelas mãos e pelo carinho de Teresina Teixeira.










quarta-feira, 21 de outubro de 2015

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

relembrando Sérgio Borges



..... tropeçamos há dias numa caixa de fotografias ... e, de repente, reconhecemos algumas caras que animavam as noites da Madeira ... 
( em jeito de homenagem a Sérgio Borges) 




( foto coleção privada de H.F) 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Newsletter 35. Poios…

Imagem da ilha da Madeira, os poios são um traço definidor da paisagem agrícola. Esculpidos nas montanhas, desenhos [quase lineares] de basalto sustêm as terras, separam as culturas, organizam o olhar e a propriedade.
Raimundo Quintal descreve-os como “imensas escadarias” construídas por artistas anónimos que pacientemente aparelharam os blocos de rocha vulcânica, levantando muros capazes de (…) suportar solos férteis e de impedir a sua erosão”; chama-lhes “tabuleiros” que dão frutos e hortaliças. Para o visitante, os socalcos enverdecem, assim, as montanhas e atenuam-lhes a bruteza, adoçam as penedias basálticas das serras, são objeto de admiração, na medida em que revelam a coragem do ilhéu, do vilão, para conquistar o abismo, a palmo: “ o vilão tem calos nos pés”, escreve Ernesto Leal. Propomos, assim, um olhar sobre o poio. Ou os poios.
 Propomos abrir debates. Fazer perguntas. Propomos perceber a relação da paisagem com o homem, com a sua forma de ser e de entender o mundo e as coisas. Propomos ver a forma como o poio se escreve na literatura, o que dele dizem os estrangeiros. E como define [se é que define] os ilhéus que somos.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

longe mas perto ...


um passeio de amigos algures nas serras da Madeira ... a fotografia do grupo para mais tarde recordar ... e um carta que se lê para que aquele que está longe lutando pela Pátria no Ultramar esteja também ali ... longe mas perto ... no aconchego do coração ....







(foto de colecção particular de H.F) 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Futuro e Passado

José Camacho trouxe-nos memórias. A Venezuela era um lugar de se estar, um lugar de futuros, um lugar onde se acreditava ser possível ser feliz...
Olha para as fotografias e para os postais que trouxe na mala... Trazem a nostalgia.

Na Venezuela... (foto de José Camacho)

Agora, porém, a Venezuela é, para ele, um lugar de passados... Nada mais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

para mais tarde recordar ....


há momentos assim... que ficam para sempre guardados no aconchego do coração ... porque sim ... porque não podia ser de outra maneira ... o concerto da fadista Amália em Caracas, no Hotel Tamanaco, Venezuela ...





( fotos de José Camacho) 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

... o meu carocha ...



O Domingo era dia de descanso ... dia da família... dia de praia ... 
José Camacho pegava no seu carocha e aproveitava o bom tempo e o que aquela terra [Venezuela] tinha para oferecer ...

... levava sempre " a música" consigo ... e passava bons momentos, recorda com sorriso largo sem disfarçar as saudades  ...







quinta-feira, 24 de setembro de 2015

vamos espreitar?




uma data...um chão de calhau rolado... uma porta entreaberta ... uma casa.... uma família... uma história de vida .... uma vida cheia de histórias ... que memórias estarão aqui guardadas? 




(foto de Cláudia Faria) 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

... nem olhava para trás!!



Graça chegou à Venezuela com 14 anos ... e gostou! Voltou costas à Madeira e fez a sua vida em Puerto de la Cruz.

- vivia-se bem ... era um sitio bonito, o passeio enchia-se de gente ao Domingo ... as famílias iam para ali passear e havia muita animação e barracas com iguarias, não é como aqui, vamos ao Funchal num Domingo à tarde e a cidade está morta ... os madeirenses saem de casa para ver as montras... que disparate!!

A vida obrigou-a a regressar à ilha. Veio com os dois filhos. Mas todos os dias pensa na Venezuela ...

- voltava sim, e nem olhava para trás!!


quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Newsletter 34 - CEHA 30 anos, A História


Ao fim de trinta anos, vemos a História da Madeira mais desenvolvida e divulgada. Hoje, é ponto assente que a Madeira marcou uma posição importante no discurso da História, seja na Europa, seja no espaço atlântico. Ninguém ignora o papel de modelo/referência da primeira experiência de povoamento do arquipélago madeirense. Conhece-se o protagonismo na Madeira nas História do Açúcar e do Vinho. Releva-se e afirma-se a importância da ilha no quadro da afirmação da escravatura no espaço Atlântico. Tornou-se evidente o protagonismo da Madeira na evolução da Ciência, a partir do século XVII.
De espaço quase esquecido, a Madeira ganhou, assim, afirmação e protagonismo no quadro do conhecimento e da Historiografia. Criámos uma nova consciência para o conhecimento e contribuímos para afirmar um discurso de diversidade para os insulares, com uma maior consciência dos seus valores e História.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

a minha mãe era a mulher do feiticeiro da Calheta ...


A minha mãe não largava o meu pai ... para onde ele fosse, lá estava ela, em todas as festas, em todas romagens... sempre ao lado do seu homem ... bem disposta e com uma paciência sem fim ... por vezes, o meu pai, que gostava do seu copinho, exagerava ... mas bastava um olhar da minha mãe e ele dizia:

- dê esse copinho a minha mulher que ela está com mais sede que eu!!



( foto retirada do facebook do feiticeiro da Calheta) 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O meu pai era o feiticeiro da Calheta



lá no alto da serra, as noites de inverno são mais escuras, mais frias e mais densas ... Maria Jesus lembra-se de não ver ninguém na rua porque todos se recolhiam do mau tempo ... lembra-se de ficar a bordar com a mãe à luz do candeeiro de petróleo ... enquanto o pai, o feiticeiro da Calheta, pegando na viola de arame, tocava e cantava ... por vezes, elas também cantavam com ele... e assim se passava o serão, bordando e cantando lá para os lados do Lombo do Brasil....




( foto retirada da página do facebook do feiticeiro da Calheta ) 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

outros domingos...


Algures no Brasil, no final dos anos setenta, a família Araújo descansa após uma semana de trabalho ... o Domingo era um dia especial ... reunia-se a família e os amigos ... e assim se matava as  saudades de casa e da ilha...








quarta-feira, 2 de setembro de 2015

uma leitura de fim de verão ....


Estamos de volta ... refrescamos a mente e o "corpo" do nosso blogue ...

 estamos prontos para ouvir as vossas histórias!!


... e porque ainda cheira a férias deixamos uma sugestão de leitura:

CARTAS NO INTERVALO DA GUERRA





(disponível no CEHA, 10 euros)