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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Futuro e Passado

José Camacho trouxe-nos memórias. A Venezuela era um lugar de se estar, um lugar de futuros, um lugar onde se acreditava ser possível ser feliz...
Olha para as fotografias e para os postais que trouxe na mala... Trazem a nostalgia.

Na Venezuela... (foto de José Camacho)

Agora, porém, a Venezuela é, para ele, um lugar de passados... Nada mais.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

... o meu carocha ...



O Domingo era dia de descanso ... dia da família... dia de praia ... 
José Camacho pegava no seu carocha e aproveitava o bom tempo e o que aquela terra [Venezuela] tinha para oferecer ...

... levava sempre " a música" consigo ... e passava bons momentos, recorda com sorriso largo sem disfarçar as saudades  ...







segunda-feira, 21 de setembro de 2015

... nem olhava para trás!!



Graça chegou à Venezuela com 14 anos ... e gostou! Voltou costas à Madeira e fez a sua vida em Puerto de la Cruz.

- vivia-se bem ... era um sitio bonito, o passeio enchia-se de gente ao Domingo ... as famílias iam para ali passear e havia muita animação e barracas com iguarias, não é como aqui, vamos ao Funchal num Domingo à tarde e a cidade está morta ... os madeirenses saem de casa para ver as montras... que disparate!!

A vida obrigou-a a regressar à ilha. Veio com os dois filhos. Mas todos os dias pensa na Venezuela ...

- voltava sim, e nem olhava para trás!!


quarta-feira, 24 de abril de 2013

mais uma história do calhau ... o Anão...


Chama-se Duílio, por causa de um vapor. Os mais velhos ainda o conhecem como o Anão, um dos miúdos da mergulhança que povoavam o calhau. É um homem pequeno que ainda (ou já- porque tem 87 anos) ginga os passos ao ritmo do cigarro que leva à boca.
 
 
 
 

Ri muito, o Anão. Conta que a vida não era fácil, que mergulhava da amurada dos vapores atrás da moeda que os “ingleses” atiravam.

Jogou no marítimo. O Sr. Alexandre andava atrás de nós quando faltávamos aos treinos. Levávamos sopa de canelo.

- Sabe o que é sopa de canelo?


Conta do Alemão.

- maldito que até meteu o pai na prisão. Conta que era um Cabo do Mar terrível e que o prendeu em S. Lazáro porque não tinha licença para mergulhar.

 

Quando foi para a tropa, só queria duas balas – uma delas era para esse Cabo do Mar que nunca perdoou.

Um dia, resolveu ir. Venezuela. Um vapor daqueles que conhecia tão bem. Clandestino.

- Entrei para mergulhar. Enfiei-me na casa de banho e deixei-me ficar. Depois, depois foi fácil. Era questão de não dar nas vistas e de se misturar com os outros.



Another tale from the seashore..
 
His name is Duílio. He was named after a vessel. He is still known as the Dwarf – one of the diving boys that used to live at the seashore in Santa Maria. He is a small man of 87 years old that swings while walking following the rhythm with which he takes his cigarette to his mouth.
He laughs a lot. And with a smile in his face he told us how life was hard when he used to climb up on board and jumped into the water to catch a penny that the passengers threw down to the sea.
He used to play football at Maritimo Football Team. Mister Alexandre was always watching us and if we ever missed a training session he would beat us up.
-          Do you know what is to be banged around?
He also told us about a man whose nickname was the German.
-          Dammed him!!! He even put his father in prison, in São Lazáro, because he did not have a license. He was such a mean man!!
 
When he joined the army he asked for two bullets – and one of them was to shoot the German.
One day, he decided to leave Madeira. He went on board one of the vessels and stayed there. He travelled under covered.
-          I went on board as usual as if I was going to dive. I hid in the bathroom and stayed there for some time. Then, then, it was easy. I just mingled with the other passengers and pretended to be one of them.
 
( … to be continued…)






 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Uma guitarra


 
A história de hoje, traz fado dentro. Pela voz da filha, conhecemos a história de João - jardineiro da Câmara, nos anos 40, plantador de flores e de sonhos.

Já casado, decide partir para a Venezuela, à procura de futuro. Tem lá um irmão que o manda chamar. .. Pede, então, dinheiro ao tio padre, para a viagem. Tinha de passar em Lisboa por causa do visto. Mas o visto demorou. Demasiado tempo.

E o dinheiro para se manter em Lisboa – por mais humilde que fosse a pensão – acabou. Era preciso mais uma remessa. Escreveu, então, uma carta que chegou ao destinatário uma semana depois. Demasiado tarde.

Não havia outra solução, senão vender um dos dois valores que levava: a aliança do casamento ou a guitarra. Vendeu a..... aliança.

Ele morreu, mas a  guitarra permanece. Sentada . Ainda guarda a mesma corda que lhe abraçou as noites duras dos primeiros tempos em Venezuela:

- o meu pai tirava areia de um rio e dormia sobre sacas, mas nunca deixou de cantar o fado.

A vida mudou. Como outros emigrantes, João construiu a vida. Levou consigo a familia. Conheceram treze casas. Porque à procura do lugar melhor. Sempre de passagem.

O seu lugar era aqui. E voltou. Para ficar. Logo que pôde, comprou outra aliança. Mas  foi fiel à guitarra. E ao  fado. E à família. E ao seu lugar. 



A guitar


Our tale of today tells about Fado. Joao´s daughter remembers her father so well – a gardener, who during the 40s, went away chasing his dreams.

He was already married when he decided to leave Madeira. He wanted to go to Venezuela because he had already a brother there. He asked for a loan to one of his uncles, who was a priest. João had to stop for some days in Lisbon waiting for the visa.

The days passed and he spent all the money. He wrote a letter back home asking for more money but it took too long to get to Madeira.

He had no other choice. He needed money desperately and the solution was either to sell the wedding ring or the guitar. He decided to sell ….. the wedding ring.

João is already dead. His daughter still keeps his guitar … the one that helped him endure the long and harsh nights in Venezuela:

-          My father used to work in the river…. he collected sand…. and he used to sleep on the top of the sand sacks … and he never stopped singing Fado.

Life has changed. Like most of Madeira emigrants, João struggled hard to build his own life. He sent for this family after a while. They were always on the move: they have lived in 13 different houses… always rolling.

But he belonged here and so he came back. As soon as possible, he bought another wedding ring. He never ever sold his guitar, though. Nor will his daughter!!

 
 
 


 
 




 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

MARCOS TEIXEIRA e o(s) caminho(s) que a vida lhe indicou


O que leva um miúdo de 12 anos a embarcar sozinho para o Brasil? O que sente um menino quando separa os seus olhos dos olhos da mãe que fica no cais, sem metade do coração? O que significa o silêncio da lembrança quando a lancha se afasta do cais e a terra vai ficando longe?

Começou assim a entrevista com Marcos Teixeira. Primeiro, o Seixal, a escola, a professora, a terra, a vida. O pai já estava embarcado na Venezuela. Em dia de carta, juntavam-se todos à volta da mesa, à luz de uma lamparina. A mãe lia a carta e guardava a remessa:

 – vinha sempre um dinheirinho para pagar a venda.

Olha com ternura para o passado que a memória lhe traz. Ilustra a sua história, com retratos que fotocopiou par nos mostrar:

- a minha mãe, eu e os meus irmãos. Eu era o do meio. Esse rapazinho de fato e gravata sou eu. Foi para a viagem:

 E avança: a aventura, a viagem no Salta, o encapelamento do mar, os clandestinos que iam no barco:

- Havia um cesto que passava debaixo da mesa. Cada um metia lá dentro alguma coisa: um pão, fruta…. Eram quatro, desembarcaram no Rio de Janeiro com os nossos passaportes que alguèm nos trouxe, depois, de volta . É que eu ia para Santos.

Na sua história, há um Brasil doloroso, com saudades da mãe, há um menino que chora quando a noite vem, há a chegada do pai e depois da mãe e dos irmãos….

Na sua história, há a Venezuela, a padaria, o quarto, a arte de estofador, a música… a música. Na sua história, há um disco (http://www.youtube.com/watch?v=leFMen96i60), o gosto de cantar, o negócio, o trabalho, a casa, o amor, os filhos.

Na sua história, há o sucesso, o medo, a insegurança. E a saudade do cais. Em 1977, veio à ilha pela primeira vez. Em 1980, vieram todos. Em 1983, vem para ficar.

Da sua casa, via-se a Sé. Um desejo velho de quem sabe o que é não estar. E ouvia-se o sino. Como dantes. E era-se feliz. Como nos sonhos.

É empresário. Falou com orgulho do que construiu, do amor que tem à família, dos filhos, da vida que tem, entre o trabalho, a casa e a igreja. Falou sem preconceitos de si, dos seus, de Deus.

Um homem de fé, sim. Um homem feliz.

 
Marcos Teixeira … Life has showed him the way
What was the real reason for flying to Brazil at the age of twelve? What did a young boy feel when he looked back and saw the tears in his mother’s eyes and her broken heart? How heavy was the silence that accompanied him in the rowboat that took him on board the vessel?
This is how the interview has started. Marcos Teixeira talked first about his childhood in Seixal, the school, the teacher, his house and everyday life. He explained his father had already gone to Venezuela. He was two years old and could hardly remember his face. Whenever a letter arrived, he and his brothers sat around the kitchen table, his mother lighted the oil lamp and read the letter. She also kept the money that had been sent inside the envelope:
-          It helped to pay the greengrocer’s bill.
Marcos looks back with tenderness and while talking he showed us some old pictures.
-          My mother, me and my brothers. I am here, in the middle. I was dressed in a suit and tie. This picture was taken for the passport:
And he carried on: he talked about adventure, about the vessel, the Salta from Argentina, he remembered the rough sea and also those who travelled undercovered:
-          There was a basket hidden under the table. Everyone tried to put something inside: a piece of bread, some fruit … there were four of them, they landed in Rio de Janeiro with our passports… later someone brought them back. I needed my passport to land in Santos.
We have noticed some pain and some sadness. The young boy missed his mother terribly …. He cried almost every night and sometime later, his father joined him and so did his mother and his brothers …
In Venezuela he started working in a baker’s. Then he decided to learn a job: upholsterer and he also started singing … he even recorded a single http://www.youtube.com/watch?v=leFMen96i60). Those were fantastic days! He started his own business, had a house built and fell in love.
But there was also fear and a lot of insecurity. And most of all he missed his home land. He visited Madeira in 1977. He came back for another visit with the whole family in 1980. In 1983 they settled down in Funchal.
He found a house with a view over the city and from where he could look at the Cathedral. He could also hear the church bells. Like it used to be when he was a child in Seixal. A dream came true!
Today he is a local businessman. He has shared his story. He has opened his house and his heart … he is spiritual man, indeed. He is a happy man, indeed!