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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

em busca...


Hoje, vamos ao Faial. Vamos ouvir a vida contada na primeira pessoa. Uma história ligada à emigração. Vamos saber de um sonho ... e da força de realizar esse sonho!




( fotos retiradas do facebook do Museu Família Teixeira) 



Estamos à espera da sua história!!! 

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

AO FIO DO TEMPO


 

João Quintal. Curral das Freiras
Tarde de sol. Curral das Freiras.   João Quintal, do alto dos seus 83 anos, fala de si, da pobreza da sua meninice:
- na véspera de Natal, minha mãe chorava. Não tinha nada p'ra pôr na mesa. Fomos pedir emprestado ao Senhor Padre Vigário… Fome, menina, fome...
Da história:

Não foi à escola. Carregava lenha pelas serras e conduzia bezerrinhos, Encumeada fora… Carregou os senhores e a sua excentricidade, de rede, montanha acima, a troco de algumas patacas e de um copo de vinho… Trabalhou na construção do “furado” do Curral. O antigo. Ajudou a construir a vereda do Pico do Areeiro. Fugiu da pobreza, a salto, para França. Embarcou para a Venezuela e sossegou…

 Conta a sua história, ao ritmo da lembrança… Sem paragens. Ao fio de tempo…
Espera que 2016 ainda lhe traga força... Vai ser o festeiro. Promessa velha. A cumprir, se Deus quiser.
[Entrevista realizada a 1/12/2015]

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Clandestinos

Às vezes, era uma aventura; muitas vezes,   desespero...
Às vezes, dava certo; outras vezes, eram apanhados e presos...
Às vezes, valia a pena; outras...


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Afinal, não era o El-Dorado


Tinha quinze anos quando se casou. O noivo regressou para a Venezuela onde vivia desde criança, deixando-a menina casada, sob o olhar dos pais, dos sogros e das gentes da freguesia.
Havia de regressar dois anos depois, para a vir buscar...
Foram no Santa Maria. Custou-lhe a despedida da mãe e das irmãs que ficaram na ilha, mas foi contente... Nunca tinha vista uma coisa assim. Refere-se ao barco: às salas de baile, as piscinas. Sabiam que, nos outros andares havia festas. Eles, porém, em Terceira classe, falavam da vida, das dificuldades, da esperança.
Quando Ermelinda chegou a Caracas ,  ficou “chocada”. A vida era dura, as condições precárias, viviam com outras pessoas, na mesma casa. A Venezuela, afinal, não era o El-Dorado... 

Naquela altura, porém,  os emigrantes ajudavam-se muito uns aos outros. Chegavam lá sem dinheiro mas havia sempre quem estivesse disposto a ajudar, a dar sociedade num negócio para possibilitar começar a vida. E recomeçar. No duro.
Teve muitos filhos. Muita vontade de regressar. A sua casa era na ilha.
Chama-se Ermelinda. E tem ainda a força da vida. É uma das nossas colaboradoras do Projeto Memórias...
A última viagem. A de regresso.
 
 
 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

... nem olhava para trás!!



Graça chegou à Venezuela com 14 anos ... e gostou! Voltou costas à Madeira e fez a sua vida em Puerto de la Cruz.

- vivia-se bem ... era um sitio bonito, o passeio enchia-se de gente ao Domingo ... as famílias iam para ali passear e havia muita animação e barracas com iguarias, não é como aqui, vamos ao Funchal num Domingo à tarde e a cidade está morta ... os madeirenses saem de casa para ver as montras... que disparate!!

A vida obrigou-a a regressar à ilha. Veio com os dois filhos. Mas todos os dias pensa na Venezuela ...

- voltava sim, e nem olhava para trás!!


terça-feira, 14 de julho de 2015

De regressos ... de verão

Regressam nas asas do verão, com as saudades arrumadas naquele canto do peito que não conseguem trancar. Mesmo que vivam mil anos, não conseguem trancar o lugar da dor do ter de ser, da partida para um qualquer lugar longe de casa.
Foi assim com João. E com tantos outros que procuraram no mundo o que a ilha não lhes conseguia dar.
Doação de Teresa Gomes
 
HOJE -  TERTÚLIA SOBRE EMIGRAÇÃO E IMIGRAÇÃO, NA UNIVERSIDADE DA MADEIRA, ÀS 18.30 H.
 
E
SE TEM UMA HISTÓRIA DE EMIGRAÇÃO PARA CONTAR, PROCURE-NOS. QUEREMOS CONTÁ-LA.
 

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Um postal... de ontem

Há gavetas que guardam o tempo. Mesmo sem memória, porque não se conhece as pessoas, porque não se conhece o sentido, porque ninguém sabe  o significado deste postal que a Cláudia encontrou por entre retratos velhos, de gente que já só mora dentro da família.  Sabe-se apenas que Maria de Nóbrega recebeu este postal da irmã, Elvira de Nóbrega, ausente na Austrália. Mais nada.

Postal do espólio de Cláudia Faria

De repente, uma história. Que segredos contarão estes jovens? De que falam? O que pretexta este chá? e o romantismo juvenil da mesa posta? O que contará este postal? E a porta aberta para o futuro?

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A ilha... lugar de partidas...


Adeus varanda do cais
Onde o meu bem embarcou
Foram os olhos mais lindos
Que as ondas do mar levou

Dizes que vais embora
Amor do meu coração
Se tu vais e por teu gosto
Por minha vontade não

S’eu embarcar p’ra fora
Da barra te hei-de acenar
Não ponhas os olhos noutra,
Que eu vou mas p’ra voltar

Eu subi aos altos montes
Para te ver embarcar,
Meus olhos são duas fontes
Deitam ribeiras ao mar


                        (tradição popular da Madeira)

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Faz, hoje, 50 anos...






O Manuel Alexandre foi o primeiro colaborador do Projeto Memórias. Sem reservas, abriu-nos a sua vida, como se se tratasse de um livro. Trazia o orgulho daqueles homens que, apesar de todos os medos, nunca desistiram de procurar o futuro. Embarcou menino e fez-se grande na solidão de outros lugares. Viu mudar o país que o acolheu e regressou à ilha, à procura da segurança que a África do Sul já não lhe dava. Hoje, 50 anos depois do embarque e da vontade de saltar para o cais, no momento em que o Vapor do Cabo o afastava do pai e da professora que, em terra, lhe diziam adeus, Manuel - o Cabeiro - ensina que, não obstante todos os pesares, vale a pena procurar os sonhos. A ele e, por ele, a todos os que, um dia, tiveram de partir, a homenagem das Memórias das Gentes que fazem a História.  

segunda-feira, 21 de abril de 2014

O CABEIRO...

Manuel e a mãe - 1ª viagem à Madeira

Manuel tinha fugido à guerra do Ultramar. Como muitos rapazes. Guiado pela vida que lhe dizia que não, que não fosse morrer para o Ultramar, que procurasse outro lugar… Tinha 12 anos quando partiu. Voltou mais ou menos dois anos tarde. De vista. Para ver os pais e os irmãos que partiam, eles também, à procura da vida, para a Venezuela.

Os anos 60 iam a meio. Manuel partira menino, regressava adulto. A mãe reconhece-o como tal. Serve-o de vinho, como se faz a um homem…

A memória desta viagem guia-lhe a mão. Assim:


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

"atesta por sua honra..."

Para emigrar, era necessário fazer prova de que se estava bem, de que não se sofria de nenhuma doença contagiosa ou mental.
Por entre papéis guardados e gentilmente emprestados por Teresina Teixeira, este:
Atestado Médico