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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

a bordo do Arriaga...



Porque Agosto cheira a férias ... e a Porto Santo ... fica aqui um relato de tempos mais recuados ... de viagens por mar... a bordo do Arriaga...




... a minha primeira viagem....


Onze horas, eu e minha mãe chegamos ao cais da Vila Baleira e fomos ao encontro do meu Pai na altura tripulante de um cargueiro chamado Arriaga, comandado pelo então Arrais Paulino, homem calejado no mar, alto e robusto pendia uma das pálpebras de um dos olhos, que me fazia lembrar os tempos antigos dos piratas, tinha sofrido em tempos idos alguma maleita que lhe deixava o olho entre aberto quando olhava para nós.

Meu pai, aproximou-se e disse-nos “…vamos para bordo, que hoje sairemos mais cedo, as uvas, a cal e a água já estão a bordo…” assim o fizemos.

A bordo o meu pai esmerava-se em nos explicar como haveríamos de passar a viagem na câmara do barco (compartimento localizado no convés da embarcação de formato rectangular paralelo as bordas do barco e com uma altura útil que não permitia as pessoas adultas andar de pé) era ali que iríamos passar as quatro horas de viagem até a ilha da madeira....

Eu fiz a viagem a explorar o barco, ora na câmara ora perto do posto de comando que era na altura um leme comandado manualmente para bombordo e estibordo com um ferro em feitio de foice que lhe davam o nome de “cana de leme.


Trindade Melim

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

MALAS...


 

Dentro delas, cabe um mundo. Dentro delas, cabe a esperança e a saudade. Dentro delas, cabem sonhos e desilusões. Cabe o nada que é preciso preencher. Cabe o passado e o futuro.

Nas nossas mãos, guardadas como relíquias, estão estas duas recordações: uma, de porão, guardou angústias e medos, mas também presenças e afetos, num tempo em que os rapazes iam para a Guerra

 

                                             Mala de porão pertencente a Leonel Martinho Nóbrega 

   a outra, de cartão, levou o vazio e as ausências de um rapaz de 12 anos rumo à África do Sul,  à procura da vida e da paz, num tempo em que muitos rapazes-meninos fugiam da Guerra.

 
 
Mala de cartão pertencente a Manuel Alexandre da Costa

 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Primeira viagem [ estórias de uma narrativa de vida]


Nos meados de 1952,trabalhava eu como aprendiz de desenhador, na fabrica Patrício e Gouveia. Tinha 16 anos. Era escuteiro, como eram os meus amigos de infância.

Nestes tempos nós não tínhamos televisão, o rádio ouvíamos muito mal, com muito ruídos.

A nossa diversão eram os livros, que eram devorados em poucos dias, as nossas praias belas e rochosas, onde passávamos a maior parte do tempo. E as caminhadas nas maravilhosas serras e acampamentos, onde dormíamos debaixo das estrelas.

Recordando agora, éramos bem mais felizes do que a mocidade de hoje. Tinha eu, como passatempo, escrever cartas para amigos no Continente e estrangeiro, e trocávamos postais e fotografias.

Nesse ano,  havia um acampamento nacional dos escuteiros em Coimbra.  Pedi ao meu pai que me deixasse ir e, ao mesmo tempo, fazer umas férias na casa  do meu amigo e correspondente, José Carlos da Fonseca  que vivia  em Vila Nova de Famalicão. Vila muito pequena,  nessa altura.

Ele  morava com o pai , a mãe, e a única irmã, mais velha. Embarquei no navio Vera cruz . Muito preocupado, o  meu pai pediu a um casal de amigos que ia para Lisboa na mesma viagem, para olhar por mim, como também a um empregado de bordo que era barman no navio .

Durante a viagem o barman viu que eu ficava a olhar um velhinho, que ficava numa cadeira no convés,  embrulhado numa manta que  lia o tempo todo e disse-me:

- Menino,  o senhor que está ali é o famoso Almirante Gago Coutinho.

Chegando a Lisboa, foi um mundo novo que se abriu para mim: comboios, elétricos,  arranha-céus ,etc. Apanhei o comboio para o Porto. Durante a viagem, no comboio, eu levava alguns presentes para o Carlos e para a família.  Entre estes,  ia um grande cacho de bananas, o qual chamou a atenção de alguns passageiros, que começaram a perguntar quem era o dono das ditas bananas. Eu,  pequeno e franzino,  respondi que era meu, mas que não era para vender.

Cheguei à estação de Campanhã,  no Porto e, para a minha aflição,  não encontrei ninguém me esperando. Quem me salvou foi um jovem  que notou que eu usava um distintivo de escuteiro e, porque ia demorar  o próximo comboio para Famalicão, se ofereceu para levar-me a sua casa para lanchar. 

A senhora sua mãe deliciou-nos com o mais  rico lanche que já tinha tido: bolinhos de bacalhau, rissóis de carne, de galinha etc.

Eu estava muito desconfiado devido ao facto de meu pai me ter dito que tivesse cuidado com os continentais.

Segui para Famalicão, e tive o mais belo tempo da minha vida. Conhecendo o meu amigo, a sua mãe, pai e irmã e as suas comidas  e hábitos como também a vila, pela qual,  depois deste tempo, continuo enamorado.

Depois de 3 semanas no Norte, continuei para a bela cidade de Coimbra, onde  me encontrei com os meus escuteiros do grupo 88 do Socorro. Vim de volta no navio  Serpa Pinto que me deixou no Funchal.

 

Augusto Sousa   Melbourne, 03 Novembro de 2013
 
 

 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A minha primeira viagem


Não importa onde te leva a viagem mas sim o que ela faz de ti
in, O lugar dentro de nós, Gonçalo Cadilhe



Nos dias 21 e 22 de outubro o CEHA promove um colóquio cuja tema é Mobilidade e Identidade(s).
Sabemos que vão estar connosco e hoje lançamos um desafio:  Conte-nos a sua primeira viagem!!!!
 Sabemos que ainda se lembra!!! é só começar...



... porque somos todos viajantes ... de um mesmo lugar... de um mesmo tempo ... de um mesmo acreditar...