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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

longe mas perto ...


um passeio de amigos algures nas serras da Madeira ... a fotografia do grupo para mais tarde recordar ... e um carta que se lê para que aquele que está longe lutando pela Pátria no Ultramar esteja também ali ... longe mas perto ... no aconchego do coração ....







(foto de colecção particular de H.F) 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Cartas no Intervalo da Guerra

A tarde veio com Sol ... e com gente, e abraços, e sorrisos ... e cumplicidades ... e  o auditório do CEHA ficou cheio para receber António e Maria Adelaide Loreto e AS CARTAS NO INTERVALO DA GUERRA ... este é o primeiro volume da coleção Memória, um livro que conta da guerra no Ultramar, de um namoro, de um futuro a dois ... que conta da ilha e de nós - Sim, estamos todos aqui!!!! BEM HAJAM!!!!








O livro está à venda aqui no CEHA.

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Cartas no Intervalo da guerra

Convidamo-lo para conhecer, ao vivo, os protagonistas desta História... Das cartas trocadas entre Angola e a Madeira, nasceu uma história de amor... Esta.
dia 2 de julho às 18horas, no CEHA, Rua das Mercês, nº 8.

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Cartas no intervalo da Guerra


...e porque os momentos especiais devem ser relembrados, aqui vos deixamos mais fotos de um dia memorável!! 












quarta-feira, 21 de maio de 2014

... que quanto a nós, vamos bem, graças a Deus


Começa assim a carta que recebemos, por mail, de um aluno da Escola da Torre... Encontrou-a, no meio de coisas... Quis participar deste projeto em que a Memória Individual se revela essencial para compor a Memória Coletiva. As cartas de antes começavam assim. Como se se tratasse de um protocolo de escrita que mantinha a ilusão de que tudo estava bem, de que, no lado de lá, se pensava na ilha, se vivia na preocupação de quem tinha ficado. A quem nos enviou mais este exemplar, o nosso agradecimento. Continuamos à espera de mais cartas, de mais memórias, de mais documentos, de mais histórias de vida. Venha ter connosco. contacte-nos...

segunda-feira, 24 de junho de 2013

.... um apertado abraço ...


Angola

Cacúlo Fazenda, 9 de Julho de 1916
 


Minha querida irmã,


Primeiro que tudo desejo que estas duas linhas te vão encontrar de perfeita saúde que quanto à minha vou andando um pouco sofrível.

Como até à data não recebi carta nenhuma tua ainda, isto devido aos vapores, pois que agora o Governo apossou-se duns poucos de vapores alemães parece até impossível que haja por enquanto só um vapor por mez de Lisboa para Angola como consta; resolvei então mandar-te os 150$00 que na última carta que escrevi te dizia.

(…)

Como já te disse na outra carta este dinheiro é para comprar metade da casa e cozinha e também algum bocado de fazenda, visto tu não poderes comprar sósinha.

Tem paciência. Vê se podes pedir o resto que falta. O Candido já mandou-me dizer que Augusta tinha já embarcado para a América. Será verdade? (…) E com respeito a João? (…)

Por agora não posso ser mais extenso senão que recebas muitas recomendações e um apertado abraço deste teu irmão que te deseja mil felicidades.

 

Francisco Gregório Teixeira

sábado, 24 de novembro de 2012

CARTAS, CARTEIROS E MULHERES


A rua da minha infância era uma rua de mulheres, na parte da manhã. Todos os dias, por volta das onze, enquanto o almoço ganhava corpo no fogão e a roupa da cama se arejava à janela, as portas entreabriam-se e elas esperavam o carteiro no caminho.

Era a hora de todas as esperanças, de alguns medos, de sonhos eternamente adiados. O Sr. Agostinho tinha os olhos da cor da distância, claros de mar e de saudades e uma voz doce, um pouco enrouquecida do sol e da chuva, dos subires e desceres das ruas daquele tempo.

 Na bolsa de couro do Sr. Agostinho, guardavam-se segredos que as folhas de linhas azuis revelavam , no rasgar cuidadoso do envelope, no estalar do papel, na nota que vinha dobrada em quatro e que cheirava às venezuelas e aos brasis dos sonhos velhos,

“Minha querida e sempre lembrada Maria”

na eterna vontade de ter casa sua, de trazer anéis nos dedos ou um dente de ouro a iluminar o sorriso.

O Sr. Agostinho parava a rua da minha infância, por volta das onze: era a carta de chamada que preparava outras partidas, era a prova de vida do soldado que tinha ido lutar pela pátria, em nome de um dever juvenil nas picadas do ultramar, era a saudade molhada de sal de outros mares de quem tinha ido à procura de mundos, de vidas, de quem tinha fugido da tropa, de quem não estava. Simplesmente.

Os ausentes faziam pontes de papel com os que tinham ficado na rua da minha infância:

- Vizinha, recebi carta do meu António.

E a vizinha lia as palavras e os silêncios e os não-ditos e as perguntas e as respostas e as promessas,

- adeus, adeus, até ao meu regresso,

que alimentava as semanas das mulheres da rua da minha infância.
- Então, Sr. Agostinho?
- Hoje, não há nada.
E o silêncio. E o medo. E a angustia de receber uma carta com a tarja preta do luto.
O Sr. Agostinho já não distribui as cartas e os postais de paisagens de neve que chegavam em pleno Agosto. Guardo dele, os olhos e a voz. Guardo o sorriso. E a imensa curiosidade de criança de conhecer os futuros que abrigava dentro do saco.

Já ninguém espera o carteiro na minha rua. O coração já não bate à vista do selo. Já ninguém limpa as lágrimas ao ponto final,

 “Adeus até ter notícias tuas”.

E é pena.
Daí este Projeto: para que, nem as cartas, nem as memórias, nem as emoções se percam!