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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Newsletter 37: por portas abertas…

Chega o dia em que temos de escolher as memórias que queremos levar connosco…
 Pedro Urbano, 2009 

Ao longo deste ano, o Memória das Gentes que fazem a História tem caminhado de porta em porta, umas escancaradas, outras semi-abertas, algumas fechadas até. Temos ouvido, dado colo a tantas histórias… lembranças de gentes como nós… Este é uma espécie de balanço… um arrumar da casa [passado]… e também um mapear [futuro] pois ainda há muito por ouvir e por recolher …

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Newsletter 36. Mobilidades

"Na fronteira das mobilidades, naquele lugar exato onde o partir e o chegar se encontram, num tempo presente, com representações do passado e uma vontade imensa de futuro, mora a vida de tantos homens e de tantas mulheres que, um dia, saíram da sua terra, em busca de uma vida melhor."

No CEHA, dias 12 e 13 de novembro, com entrada livre a todo o público interessado, debateremos questões de mobilidades, de fronteiras – naturais, reais ou imaginárias; refletir-se-á sobre os novos conceitos que emergem do (des)equilíbrio entre migrantes e nativos, nas implicações que a (in)constante mobilidade vem trazer para o espaço geográfico, social, cultural e literário. Falar-se-á de memórias transfronteiriças, de escritas, de imigrantes, de doentes, de linguística, de saudade e de ilha(s).

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Newsletter 35. Poios…

Imagem da ilha da Madeira, os poios são um traço definidor da paisagem agrícola. Esculpidos nas montanhas, desenhos [quase lineares] de basalto sustêm as terras, separam as culturas, organizam o olhar e a propriedade.
Raimundo Quintal descreve-os como “imensas escadarias” construídas por artistas anónimos que pacientemente aparelharam os blocos de rocha vulcânica, levantando muros capazes de (…) suportar solos férteis e de impedir a sua erosão”; chama-lhes “tabuleiros” que dão frutos e hortaliças. Para o visitante, os socalcos enverdecem, assim, as montanhas e atenuam-lhes a bruteza, adoçam as penedias basálticas das serras, são objeto de admiração, na medida em que revelam a coragem do ilhéu, do vilão, para conquistar o abismo, a palmo: “ o vilão tem calos nos pés”, escreve Ernesto Leal. Propomos, assim, um olhar sobre o poio. Ou os poios.
 Propomos abrir debates. Fazer perguntas. Propomos perceber a relação da paisagem com o homem, com a sua forma de ser e de entender o mundo e as coisas. Propomos ver a forma como o poio se escreve na literatura, o que dele dizem os estrangeiros. E como define [se é que define] os ilhéus que somos.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Newsletter 34 - CEHA 30 anos, A História


Ao fim de trinta anos, vemos a História da Madeira mais desenvolvida e divulgada. Hoje, é ponto assente que a Madeira marcou uma posição importante no discurso da História, seja na Europa, seja no espaço atlântico. Ninguém ignora o papel de modelo/referência da primeira experiência de povoamento do arquipélago madeirense. Conhece-se o protagonismo na Madeira nas História do Açúcar e do Vinho. Releva-se e afirma-se a importância da ilha no quadro da afirmação da escravatura no espaço Atlântico. Tornou-se evidente o protagonismo da Madeira na evolução da Ciência, a partir do século XVII.
De espaço quase esquecido, a Madeira ganhou, assim, afirmação e protagonismo no quadro do conhecimento e da Historiografia. Criámos uma nova consciência para o conhecimento e contribuímos para afirmar um discurso de diversidade para os insulares, com uma maior consciência dos seus valores e História.

domingo, 23 de agosto de 2015

Newsletter 33 - Napoleão na Madeira

NAPOLEÃO NA MADEIRA 
Memória de um dia de agosto

Há precisamente 200 anos, na manhã do dia 23 de agosto de 1815, fundeava, na baía do Funchal, uma esquadra britânica, sob o comando do contra-almirante George Cockburn: a nau almirante “Northumberland”, as fragatas “Havanna”, “Bucephalus” e “Ceylon” e ainda seis brigues de guerra.
Escreve o Major Reis Gomes que « Já na véspera, à noite, se sentia na cidade o hálito sêco e quente que, sob o nome de «léste», o Sahára frequentemente sopra sobre a Madeira. A aurora de 23 alumiara de tons rubros um mar tempestuoso, profundamente agitado pelo adusto vento do deserto» (GOMES, O Anel do Imperador, p. 30). O povo atribuía “na sua ingenuidade” toda aquela procela “que lhe secava a bôca e lhe queimava os campos” (p. 30, 31), à presença de Napoleão que vinha a bordo da nau principal, a caminho do exílio em Santa Helena.