Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de abril. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 25 de abril. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Newsletter n.º 16 - 25 de Abril

História contemporânea/ imediata/ do presente. 

Do presente feito passado e memória pela escrita do historiador 

O historiador do tempo presente é contemporâneo de seu objeto e portanto partilha com aqueles cuja história ele narra as mesmas categorias, essências, as mesmas referências fundamentais. Ele é pois o único que pode superar a descontinuidade fundamental que costuma existir entre o aparato intelectual, afetivo e psíquico do historiador e o dos homens e mulheres cuja história ele escrever. Para os historiadores dos tempos consumados, o conhecimento histórico é sempre uma difícil operação de tradução, sempre uma tentativa paradoxal: manifestar sobre o modo de equivalência um afastamento irredutível. Para o historiador do tempo presente, parece infinitamente menor a distância entre a compreensão que ele tem de si mesmo e a dos atores históricos, modestos ou ilustres, cujas maneiras de sentir e pensar ele reconstrói.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Sobre retratos, memórias e esperanças


(...)
 
- Da última vez que o fui ver, ele entregou-me esta fotografia

 Era um retrato velho, a preto e branco, amarelado de tempo e carteira: um grupo de miúdos, com esperança e risos no olhar, esboçava a vitória com os dedos, ao lado de um soldado, de arma em punho (o Zé sabia o tipo de espingarda ou metralhadora que era). Também o soldado olhava para a objectiva com a felicidade tatuada no sorriso. Era uma fotografia tirada pelo Zé, no Largo do Carmo, com uma máquina velha que ainda funcionava, na manhã do dia 25 de Abril. 
A fotografia passou pelas mãos de todos. E todos sabiam exactamente o significado que ela tinha para o amigo. Há gente que guarda na carteira o retrato da mãe, do pai, da mulher ou da amante. O Zé guardava esta fotografia e olhava para ela, vezes sem conta, sempre que precisava matar saudades do tempo em que havia esperança.

(de um texto por publicar)